A atividade industrial da China voltou a crescer em setembro, depois de dois meses em contração, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (30). O índice de gerentes de compras (PMI) ficou em 50,1 pontos, acima da marca de 50 que separa expansão de contração.
Os números do Escritório Nacional de Estatísticas da China vieram dentro do esperado por economistas ouvidos pela Bloomberg. Em julho e agosto, os índices haviam sido de 49,8 e 49,2, respectivamente. "Houve uma recuperação nas condições econômicas", afirmou Huo Lihui, estatístico do órgão, em comunicado.
Segundo ele, três setores mostram expansão rápida (fabricação de equipamentos, produção de alta tecnologia e bens de consumo). O PMI não industrial, que cobre serviços e construção, avançou de 49 para 50,2 no período.

Pequim busca manter o ritmo apesar de outros obstáculos, como as divergências comerciais com Washington e uma crise persistente no setor imobiliário.
O boom das exportações, puxado pela forte demanda externa por eletrônicos ligados à inteligência artificial, funciona como alívio diante da fragilidade do consumo interno. Na segunda-feira, o governo chinês anunciou um pacote de medidas para apoiar a economia, incluindo subsídios hipotecários.
O que isso muda para o Brasil
A China é o maior parceiro comercial do Brasil, e o comércio entre os dois países bateu recorde de US$ 171 bilhões em 2025. Uma indústria chinesa mais aquecida tende a sustentar a demanda por minério de ferro e outras matérias-primas brasileiras.
Mas o sinal positivo da indústria não significa mais compra automática de commodities brasileiras. Nas últimas semanas, a China intensificou as compras de soja dos Estados Unidos, às vésperas da visita do presidente Xi Jinping a Washington.
Isso já teve efeito direto no campo brasileiro. A Abiove cortou a previsão de exportação de soja do Brasil em 2026, de 115,4 milhões para 115 milhões de toneladas, a primeira redução mensal da estimativa desde março.
A retomada também ganhou um capítulo diplomático.
Os dois países confirmaram uma trégua comercial válida até janeiro de 2027.
Do lado do minério de ferro, o quadro é mais estável. O petróleo e o minério seguem puxando o recorde da balança comercial brasileira, mesmo com o mercado chinês de imóveis em desaceleração.
A pergunta que fica
A indústria chinesa voltou a crescer, mas o apetite da China por soja e outros produtos brasileiros depende também da relação com Washington, não só do PMI.
Enquanto a trégua entre chineses e americanos durar, o Brasil disputa espaço nas prateleiras da China com um concorrente que, até pouco tempo atrás, estava fora da mesa.


































