O presidente da Stellantis para a América Latina, Herlander Zola, afirmou que o modelo de produção da BYD com peças importadas pode ameaçar até 90% dos empregos da indústria automotiva na região. A declaração foi feita em São Paulo, em 7 de outubro.

O modelo knocked-down "poderia ameaçar até 90% dos empregos automotivos na região", disse Zola.

O alerta é sobre o modelo "knocked-down": veículos chegam desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD) do exterior, e a fábrica brasileira só completa a montagem. É uma etapa bem menor do que fabricar o carro inteiro no país.

A Stellantis emprega cerca de 35 mil pessoas na América do Sul. Pelo modelo knocked-down, segundo Zola, bastariam 10% desse quadro para dar conta da mesma produção.

Por que o governo mantém a cota de importação zerada?

O governo mantém porque, em junho, a Camex renovou por seis meses uma cota de US$ 463 milhões para importar carros elétricos desmontados sem pagar Imposto de Importação, alíquota que seria de 35% sem o benefício.

A BYD já produziu mais de 100 mil veículos com esse modelo na fábrica de Camaçari (BA). A empresa também lidera parte do mercado elétrico: o Dolphin Mini é hoje o 1º elétrico no top 3 de vendas do país.

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Do outro lado, a Anfavea avalia ir à Justiça contra a cota. A entidade estima perda de R$ 129 bilhões e eliminação de 69 mil empregos diretos, mais 227 mil em fornecedores.

Fiesp, Sindipeças, Firjan e Fiergs apoiam a posição da Anfavea; a Fiesp pediu ao governo que o tema nem fosse pautado. A GM também já criticou as cotas que beneficiam a BYD, ao anunciar investimento de R$ 10,5 bilhões no país.

A disputa vem se arrastando desde junho, quando a BYD passou a pressionar o governo pela renovação dos benefícios de importação.

O que acontece agora

A cota com alíquota zero vale até o fim de 2026. A partir de janeiro de 2027, a tarifa de importação para peças CKD sobe para 35%, o mesmo patamar já exigido para o modelo semidesmontado desde julho.

O que a disputa ainda não resolve

A cota empurra a decisão de fundo para 2027, quando a tarifa sobe para os dois modelos de montagem, CKD e SKD. Até lá, o impasse segue sem resposta pública do governo sobre como equilibrar oferta mais barata e alerta de perda de empregos.