China e a União Europeia (UE) fecharam, nesta sexta-feira (9), um entendimento de 16 pontos sobre tarifas, carros elétricos e terras raras. O acordo abre caminho para redução de tarifas e evita, por ora, uma guerra comercial entre os dois blocos.
O ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, copresidiram as negociações em Pequim. Foi a 2ª reunião do mecanismo de consulta comercial entre os dois blocos, criado em junho.
As delegações chegaram a consenso sobre 16 pontos: tarifas, controle de exportação, propriedade intelectual e reforma na Organização Mundial do Comércio (OMC). Avançaram também num entendimento sobre veículos híbridos. A China aceitou cortar pela metade suas exportações desse tipo de carro à UE.
O que muda para o consumidor no Brasil
No Brasil, quem compra um elétrico chinês já paga mais caro. A tarifa de importação sobre veículos elétricos e híbridos montados fora do país chegou a 35% em 1º de julho, etapa final de um cronograma para conter a entrada de fabricantes chineses.
O efeito já apareceu no mercado. Os carros chineses somam 21% do mercado brasileiro, quase o dobro de um ano atrás, mesmo com a tarifa no teto.
A resposta das montadoras chinesas é produzir mais peças aqui dentro. A BYD, líder do segmento no país, projeta ter metade dos componentes fabricados no Brasil até 2027, livres da tarifa de importação.
A tarifa sobre peças em kit (SKD e CKD) também volta ao teto de 35% em janeiro de 2027.
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O cenário é parecido com o europeu.
A mesma disputa por fatia de mercado que leva Bruxelas a negociar com Pequim já chegou ao bolso do comprador brasileiro.
A UE impôs, em 2024, tarifas que somadas chegam a até 38% sobre elétricos fabricados na China, sob a alegação de que o apoio do governo chinês distorce a concorrência.
O Brasil também disputa esse mercado por outra via. Em Poços de Caldas, o Sul de Minas virou alvo de mineradoras globais atrás de terras raras, o mesmo insumo que China e UE discutem na mesa de negociação.
O que acontece agora
China e UE marcaram nova reunião do mecanismo de consulta para março de 2027, quando avaliam se os 16 pontos saíram do papel. Até lá, seguem em diálogo técnico sobre o regulamento europeu de subsídios estrangeiros.
No Brasil, o mercado de eletrificados segue em expansão. Quase 1 em cada 5 carros novos vendidos já tem algum grau de eletrificação, puxado pelo programa federal Mover, que financia troca por modelo de baixa emissão para taxistas e motoristas de aplicativo.





























