As vendas de carros de passeio caíram 28% na China em setembro, o 12º mês seguido de queda, enquanto as exportações do país avançaram com força, segundo a China Passenger Car Association (CPCA). No Brasil, marcas chinesas chegaram a 21,4% do mercado no mês.
A CPCA informou nesta segunda-feira (12) que o varejo chinês de carros somou 1,62 milhão de unidades em setembro, alta de 5% sobre agosto. A entidade atribui a queda doméstica ao preço mais alto do petróleo e a um consumo mais fraco dentro do país.
O custo mais alto de chips de memória atrasou o lançamento de novos modelos.
Os veículos de nova energia, categoria que reúne elétricos e híbridos plug-in, foram recorde de 67% das vendas chinesas no mês. Mesmo assim, o segmento recuou 17% no varejo doméstico, para 1,08 milhão de unidades.
Para compensar o mercado interno fraco, a CPCA registrou novo salto nas vendas externas: as exportações de carros de passeio avançaram 74% no mês, para 917 mil unidades.

Como o Brasil virou destino da safra chinesa?
O Brasil emplacou 56.766 veículos chineses em setembro, segundo dados de emplacamento citados pelo jornal O Tempo. Foi mais que o dobro do volume de setembro de 2025, quando a fatia chinesa era de 10,1%; agora, é 21,4%.
A BYD liderou com 21.647 emplacamentos, 8,2% do mercado total, e domina o segmento 100% elétrico, com 64,7% das vendas de BEV. A GWM (Great Wall Motors) emplacou 8.943 unidades, 3,4% de participação, com o Haval H6 entre os dez mais vendidos do Brasil.
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O avanço chinês também mexeu no bolso de quem compra carro de outras marcas. Fabricantes tradicionais passaram a oferecer descontos mais agressivos e bônus na troca por usados para não perder espaço.
Segundo o consultor automotivo Milad Neto, da K.Lume Automotive Consultancy, os carros chineses mudaram o padrão de concorrência no país, com preço e tecnologia embarcada mais competitivos que o histórico do setor.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não defende o fechamento do mercado brasileiro à concorrência chinesa. A entidade cobra, porém, condições equivalentes de importação, regime de montagem e tributação entre fabricantes nacionais e estrangeiros. O pedido vale também para caminhões.
A Anfavea já havia criticado a isenção de impostos para elétricos chineses, medida que considera desequilibrar a concorrência no país.
A entidade projeta que o Brasil feche 2026 com 3 milhões de veículos emplacados, recorde histórico, mas com queda de 17,7% nos embarques brasileiros ao exterior.
O que acontece agora
A Anfavea já sinalizou que terá atuação mais ativa diante do avanço chinês em caminhões a partir de 2027, monitorando regimes de importação e benefícios fiscais. No mercado de carros de passeio, a entidade ainda não indicou prazo para novas medidas.
A disputa por preço entre marcas tradicionais e chinesas, porém, segue pressionando os dois lados. A CPCA, do lado chinês, não espera recuperação forte das vendas domésticas em outubro e já prevê desaceleração das próprias exportações, por causa de novas pressões comerciais da União Europeia.
O BYD Dolphin Mini já é o carro elétrico mais vendido do Brasil e ficou em 3º lugar entre todos os modelos do país em setembro, com 9.385 unidades. É sinal de que a disputa pelo consumidor brasileiro segue acirrada.





























