O ex-prefeito de Rio Preto da Eva (AM), Anderson Sousa, foi preso neste domingo (4) suspeito de fazer boca de urna em uma escola da região. Ele agrediu um sargento da PM, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).
Segundo a SSP-AM, Sousa e outras pessoas estavam supostamente aliciando eleitores nas imediações das seções eleitorais do município. A Polícia Militar foi acionada e foi até o local verificar a denúncia.
Conforme o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), a juíza responsável pelas eleições no município havia solicitado o apoio da corporação depois de uma denúncia de boca de urna por parte do ex-prefeito.
Ao chegar ao local, os policiais confirmaram a atividade ilícita e abordaram Sousa e aliados. Ele reagiu e agrediu um sargento da PM, que o conduziu à delegacia.
O ex-prefeito foi preso por crime eleitoral, resistência, desobediência e lesão corporal, segundo o TRE-AM. Ele foi levado para prestar esclarecimentos e aguarda os próximos passos do caso.
O outro lado
A Associação Amazonense de Municípios (AAM) classificou a prisão como ilegal. Em nota, a entidade afirmou que Anderson "foi vítima de uma prisão que seus aliados e defensores classificam como injusta e motivada por perseguição política".
A nota da AAM reafirma "solidariedade, respeito e confiança na Justiça" e cobra que os municípios do Amazonas tenham seus direitos e recursos respeitados. A entidade não apresentou, porém, nenhum elemento que contestasse a versão da PM sobre a agressão ao sargento.
O caso de Rio Preto da Eva não é isolado. Em outras partes do país, fiscais da Justiça Eleitoral seguem flagrando boca de urna mesmo com a prática proibida por lei há décadas.
No Rio de Janeiro, o TRE-RJ confirmou quatro prisões por boca de urna até o início da tarde deste domingo, segundo o juiz Marcello Rubioli, responsável pela fiscalização eleitoral na capital fluminense.
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Rubioli disse que o número pode subir, porque há intervalo entre a prisão e o registro formal do caso pela Justiça Eleitoral.
Casos de crime eleitoral com uso de força já apareceram em outras candidaturas neste ciclo. A PF encontrou um fuzil na fazenda de um candidato a deputado em Mato Grosso do Sul em setembro.
O TSE também recebeu 1.103 denúncias de irregularidade em apenas quatro dias de campanha, no início do período eleitoral.
O que acontece agora
Anderson Sousa deve responder ao processo por crime eleitoral em liberdade, já que a legislação eleitoral restringe prisões de candidatos e lideranças políticas no dia da votação a casos de flagrante — que é a hipótese usada pela PM no caso.
O TRE-AM deve analisar o boletim de ocorrência e decidir se abre processo específico por boca de urna, que pode resultar em multa, além da resposta penal pela agressão ao policial.
































