Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, identificaram uma relação entre bactérias intestinais e o ritmo de envelhecimento do cérebro. O estudo, publicado na revista eBioMedicine em 9 de setembro, analisou exames cerebrais de quase 1.500 adultos.

A equipe comparou a idade estimada do cérebro, calculada a partir de exames que medem a comunicação entre áreas cerebrais em repouso, com a idade real de cada participante. Quando o cérebro aparentava ser mais velho, isso indicava um ritmo de envelhecimento mais acelerado.

Cientista com luvas segura tubo de ensaio ao lado de um microscópio em laboratório
Foto de arquivo de pesquisa em laboratório, sem relação direta com o estudo da UCLA citado na reportagem (Foto: USP/Divulgação)

Nos três grupos analisados, quem tinha o cérebro biologicamente mais envelhecido teve pior desempenho em testes de memória de trabalho e funções executivas, ligadas a foco e organização de tarefas. Esse grupo também relatou mais sintomas de depressão.

As alterações afetam regiões cerebrais ligadas à memória e à autopercepção.

Em parte da amostra, os pesquisadores analisaram o microbioma intestinal. Um envelhecimento cerebral mais acelerado estava ligado a tipos específicos de bactérias e a substâncias que elas produzem.

Entre os compostos identificados estavam moléculas de gordura, um elemento relacionado ao colesterol e níveis mais baixos do hormônio estetrol. Esses sinais passam pelo sistema imunológico, pelos vasos sanguíneos, pela comunicação entre células cerebrais e pela produção de energia.

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O envelhecimento cerebral não começa de repente quando envelhecemos. Os sinais biológicos podem ser detectáveis décadas antes.

A avaliação é da pesquisadora Arpana Church, da UCLA, que lidera o Goodman-Luskin Microbiome Center. Segundo ela, ligar essas alterações cerebrais precoces ao microbioma ajuda a identificar quem pode estar em risco.

A diferença entre a idade cerebral estimada e a idade real recebeu o nome de Brain Aging Index, o índice de envelhecimento cerebral. Outro estudo recente já havia ligado o consumo de fibras e alimentos fermentados à saúde mental.

O que acontece agora

Os próximos passos incluem investigar se cuidar da saúde intestinal favorece um envelhecimento cerebral mais saudável. A equipe da UCLA também quer usar o índice para identificar, ainda sem sintomas, quem tem risco maior de declínio cognitivo ou de humor.