A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitas de que o governo de Donald Trump favorece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele e o Departamento de Estado americano negam interferência.
O caso ganhou força em 23 de setembro, quando a campanha de Lula pediu ao TSE que investigasse recursos estrangeiros na disputa. No mesmo dia, o PT pediu ao ministro do STF Flávio Dino a abertura de um inquérito sobre interferência estrangeira.
Dias antes, a Abin havia elevado o risco de interferência ao nível crítico. Uma petição protocolada em 1º de outubro, na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.178, também relatada por Dino, pede medidas para preservar dados de propaganda política nas redes.
O texto também pede que o tribunal identifique a origem de recursos usados em publicidade eleitoral nas redes sociais.
Nenhum episódio isolado comprova financiamento ou coordenação da campanha de Flávio pelos Estados Unidos, mas a lista de suspeitas cresceu ao longo do ano.
Ela inclui a aproximação do senador com Trump, as tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA. Internamente, o governo já mapeou a interferência dos EUA em quatro frentes.
A lista inclui ainda uma minuta com 21 exigências que o governo americano apresentou ao Brasil em 2025.
Mais recente, o Departamento de Estado dos EUA destinou US$ 1 milhão a um projeto que contesta decisões do STF. A Advocacia-Geral da União pediu à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que identifiquem os responsáveis pelo repasse.
Flávio nega qualquer irregularidade. Segundo o senador, os contatos com autoridades americanas trataram de tarifas, combate ao crime organizado e terras-raras, e ele nunca viajou aos Estados Unidos para pedir apoio eleitoral.
Já em setembro, o Departamento de Estado havia negado interferência em acusação semelhante de Lula.
A Rockbridge Network, organização americana citada nas suspeitas, afirma que a entidade brasileira ligada a ela foi criada, mas "não recebeu recursos nem entrou em operação".
A preocupação é monitorada pelo Palácio do Planalto desde janeiro, quando uma operação americana na Venezuela levou à captura do ditador Nicolás Maduro. Auxiliares do presidente passaram a acompanhar como a política externa de Trump poderia repercutir na eleição brasileira.
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Pesaram nessa avaliação o apoio público de Trump ao candidato de direita em Honduras, Nasry Asfura, e a ajuda financeira dos Estados Unidos ao governo argentino de Javier Milei.
Em abril, o Planalto ampliou o monitoramento das eleições na Hungria, no Peru e na Colômbia, tratadas internamente como termômetro da força da direita global.
Uma pesquisa PoderData/Aya, feita entre 12 e 15 de julho com 2.400 entrevistados, dimensiona o peso eleitoral da relação com Washington.
42% dos eleitores disseram que um eventual apoio de Trump a um candidato teria impacto negativo sobre a campanha dele; 32% viram efeito positivo, e 20% disseram que não faria diferença.
Para a maior parte do eleitorado, a proximidade com Trump pesa contra quem a recebe, não a favor. A margem de erro da pesquisa, registrada no TSE sob o número BR-00059/2026, é de dois pontos percentuais.
O que acontece agora
O inquérito pedido pelo PT depende de decisão do ministro Flávio Dino sobre abrir ou não a investigação. A ADPF 1.178, sob relatoria dele no STF, também não teve julgado o pedido para preservar dados de propaganda política nas redes.
A AGU aguarda resposta da Polícia Federal e da PGR sobre o repasse do Departamento de Estado americano.
































