Um mesário foi preso em flagrante por boca de urna neste domingo (4) em Tangará da Serra (MT), ao demonstrar apoio a um candidato durante o trabalho na seção eleitoral. O caso é um entre mais de 300 crimes eleitorais registrados até a tarde.
Segundo a Polícia Militar, o mesário demonstrava posicionamento político a um candidato durante o trabalho, o que caracteriza propaganda eleitoral irregular. Ele foi detido depois de eleitores acionarem a corporação, e um boletim de ocorrência foi registrado.

O que diz a lei sobre boca de urna
Boca de urna é crime desde a Lei 9.504/1997, que proíbe arregimentar eleitores, usar alto-falantes e fazer propaganda no dia da votação. A pena vai de 6 meses a 1 ano de detenção, substituível por prestação de serviços, mais multa.
Também é crime, no dia da eleição, publicar novo conteúdo de propaganda ou impulsionar posts nas redes sociais. Um advogado já havia alertado sobre esse risco antes do pleito.
Quantos casos foram registrados pelo país
Até as 11h deste domingo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) contabilizava 175 crimes eleitorais no país, 19 deles por boca de urna. Duas horas depois, o número total chegou a 313, com 69 registros de boca de urna.
Em apenas duas horas, o número de casos de boca de urna mais que triplicou no país.
Os estados com mais ocorrências até então eram Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Sergipe. Entre os tipos de infração, propaganda eleitoral irregular segue na frente, seguida por boca de urna e, em menor volume, compra de votos.
Em Minas Gerais, o TRE-MG contabilizava 249 ocorrências eleitorais até as 14h22, com 460 pessoas envolvidas e 86 conduzidas a delegacias. A maioria, 176 casos, foi por propaganda irregular, e 50 por boca de urna ou aliciamento de eleitores.
A PM mobilizou 40 mil policiais para a eleição em Minas Gerais. Um candidato aparece como envolvido em uma das ocorrências, mas não havia sido conduzido a delegacia até aquele horário.
O padrão se repete em outros estados: a Polícia Federal já havia prendido 34 pessoas por compra de votos em sete ações, em cinco estados, nos dias anteriores à votação.
O ponto em aberto
A pena para boca de urna, de 6 meses a 1 ano e quase sempre convertida em prestação de serviços, é a mesma desde 1997, enquanto o número de casos segue alto eleição após eleição.
A pergunta que fica é se a punição ainda funciona como desestímulo, ou se já virou um risco calculado por quem decide infringir a lei no último dia de campanha.
































