Um estudo publicado em 1º de outubro na revista PLOS Biology mostra que a imunidade adquirida contra a Covid-19 pode dificultar a entrada de alguns coronavírus de morcegos nas células humanas. A proteção, porém, não é garantida contra todos os vírus testados.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Pirbright e do King's College London, no Reino Unido, e investigou os sarbecovírus, grupo que inclui o causador da Covid-19.

Profissional de saúde manuseia saco de biossegurança com amostra biológica
Manuseio de amostra biológica em saco de biossegurança; imagem de arquivo (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Como os cientistas testaram os vírus

Os pesquisadores avaliaram proteínas spike de 15 coronavírus de morcegos e sua interação com o receptor ACE2 de 34 espécies de mamíferos, 16 delas de morcegos. Usaram partículas virais modificadas, incapazes de se multiplicar, para comparar a entrada nas células.

Os vírus capazes de usar a ACE2 de muitas espécies se concentraram no grupo evolutivo que reúne o Sars-CoV-1 e o Sars-CoV-2. Outros tiveram mais restrição, usando receptores de poucas espécies. Isso não significa, sozinho, que o vírus possa se espalhar entre pessoas.

O que os anticorpos da Covid conseguem bloquear

Na etapa seguinte, os cientistas testaram se anticorpos contra a Covid bloqueiam os vírus relacionados. Amostras de pessoas recuperadas da infecção neutralizaram com mais força os vírus do grupo evolutivo mais próximo do Sars-CoV-2.

"Esses vírus mostraram a maior semelhança antigênica com o Sars-CoV-2, o que significa que foram reconhecidos e neutralizados com mais facilidade pelos anticorpos", afirmou Katie Doores, professora de imunologia viral do King's College London.

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"Os coronavírus de morcegos hoje considerados mais propensos a contaminar humanos também são os mais reconhecíveis pela imunidade contra a Covid-19", disse Nazia Thakur, do Pirbright. "Um dos achados mais animadores foi a neutralização cruzada em coronavírus mais distantes", completou Dalan Bailey, do mesmo instituto.

Os resultados apontam caminhos para vacinas e tratamentos de proteção mais ampla, mas não garantem proteção total contra esses vírus em humanos. No Brasil, a Fiocruz testa uma vacina de RNA mensageiro contra a Covid-19 que poderia incorporar descobertas como esta.

A Anvisa atualiza periodicamente as diretrizes para vacinas contra a Covid-19 no Brasil, à medida que novas variantes e descobertas como esta surgem.