O ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, renunciou por motivos pessoais neste domingo (4), segundo a mídia estatal iraniana. Hamid Bovard, CEO da estatal National Iranian Oil Company, assume interinamente o cargo em meio à guerra de sete meses entre Irã e Estados Unidos.
Paknejad ocupava o cargo desde agosto de 2024. Segundo o vice-chefe de comunicação da Presidência iraniana, Mehdi Tabatabaei, o pedido de demissão já existia "há muito tempo" e só foi aceito agora pelo presidente Masoud Pezeshkian.

Por que a guerra pressiona a economia iraniana
O Irã reforça o controle sobre exportações de energia pelo Estreito de Hormuz, rota de 20% do petróleo mundial. A alta do petróleo eleva o valor da exportação iraniana, mas o efeito é limitado pelo bloqueio no estreito.
A commodity mais cara também aumenta as pressões inflacionárias numa economia já afetada por sanções internacionais.
Quem sente o efeito no dia a dia são os iranianos comuns, que já cortam remédios e material escolar para lidar com a alta de preços.
O que isso significa para o preço do petróleo
O Brent, referência internacional, chegou a superar US$ 108 por barril na semana passada. Analistas do BTG Pactual já viam o petróleo na casa dos US$ 99 a US$ 102 no início de outubro, com espaço para alta adicional de 5% a 8%.
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Para o BTG, porém, o impacto direto sobre a Petrobras é limitado. Boa parte da produção da estatal brasileira abastece suas próprias refinarias, o que reduz o efeito imediato da alta do petróleo cru internacional sobre a empresa.
No Brasil, o reflexo já chega à bomba. A TV Sim Brasil mostrou que a defasagem do diesel nas refinarias da Petrobras já passa de 5%, com o querosene de aviação subindo mais de 11% desde o início do conflito.
Para conter o repasse ao consumidor, o governo mantém um subsídio de R$ 2,12 ao diesel desde as vésperas da eleição.
O que pode mudar com as negociações em Nova York
Em Nova York, negociadores dos dois países discutem uma saída gradual do conflito, o que já mexeu o mercado financeiro antes. No plano avaliado, o Irã reabriria o Estreito de Hormuz e os EUA suspenderiam o bloqueio que afeta a população iraniana.
A troca de ministro em meio às tratativas sinaliza que a pressão econômica pesa dos dois lados do conflito. A pergunta que fica é se a saída negociada chega a tempo de aliviar o custo que a guerra já impõe a iranianos e brasileiros.





























