Pesquisadores brasileiros identificaram, na Formação Botucatu, pegadas fossilizadas de 130 milhões de anos que podem pertencer ao maior mamífero conhecido da era dos dinossauros. As marcas, achadas numa pedreira perto de Turvo, em Santa Catarina, indicam um animal de até 1,55 metro de comprimento, do tamanho de um cão grande ou de um puma.

As pegadas medem mais de 11,4 cm de comprimento por 13,4 cm de largura, cerca do dobro das maiores marcas de mamífero já achadas na formação. Os cálculos apontam até 1,55 metro de comprimento, porte do Adalatherium hui, mamífero fóssil de Madagascar.

Segundo o estudo, publicado em agosto na revista Journal of South American Earth Sciences, os rastros foram descobertos em 2019 por trabalhadores de uma pedreira. A Formação Botucatu, arenito que já foi um deserto do supercontinente Gondwana, é um dos principais sítios para pegadas fossilizadas.

Só as marcas dos passos foram encontradas, sem osso do animal, e por isso os pesquisadores não conseguem afirmar com certeza qual espécie as deixou. A hipótese é que pertençam a um triconodonte ou a um cladoteriano, grupos normalmente associados a portes pequenos ou médios.

Por que as pegadas intrigam os paleontólogos

A descoberta contraria a visão de que os mamíferos do início do Cretáceo eram só pequenos, à sombra dos dinossauros. Um mamífero do tamanho de um cão grande, andando livre num deserto de répteis, muda a escala do que se esperava achar no período.

Pedro Victor Buck, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), avalia que dinossauros de grande porte podem ter estado ausentes daquela região desértica, por razões desconhecidas. A ausência teria liberado nichos ecológicos para os mamíferos.

O estudo reúne pesquisadores da UEMG, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, do Centro Universitário SATC e da Universidade Federal de São Carlos.

A Formação Botucatu já rendeu outros achados ao patrimônio paleontológico brasileiro, com pegadas de dinossauros terópodes catalogadas em museus de São Paulo e do Paraná.

O que acontece agora

Os autores do estudo pretendem voltar à pedreira de Turvo em busca de ossos que permitam confirmar a espécie. Sem esse material, a classificação segue como hipótese baseada só na forma e no tamanho das pegadas.

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A publicação chega dias depois de outro avanço da ciência com raízes no Brasil. A Nasa lançou um telescópio com campo de visão 100 vezes maior, também dedicado a reescrever a história do Universo.

O Brasil também amplia o acesso a acervos fósseis. A coleção de Lagoa Santa, em Minas Gerais, foi digitalizada neste ano e disponibilizada ao público.

O que fica de positivo

O achado reforça a Formação Botucatu como um dos sítios mais produtivos do país para pegadas fossilizadas, ao lado dos terópodes já catalogados em museus paulistas. As marcas só vieram à tona porque trabalhadores da pedreira as notaram, sete anos antes da publicação do estudo.