A Polícia Militar de São Paulo disparou 69 vezes em uma semana contra dois homens em crise emocional, mortos nas duas ocorrências. Antonio Nunes Batista, 40 anos, morreu na Vila Dionísia em 3 de outubro; Gustavo Munis de Santana, 20, em Moema, em 10.
Na Vila Dionísia, a PM disparou 24 vezes. Em Moema, quatro policiais deram 45 tiros, e Gustavo foi atingido por 27 deles. Os números contrastam com o Método Giraldi, protocolo da PM paulista que trata o tiro como última alternativa.
Em Moema, a chamada era de tentativa de suicídio. Gustavo estava numa passarela e, segundo os policiais, fez menção de sacar algo da cintura, o que depois foi identificado como um celular, sem registro de arma.
Na Vila Dionísia, Antonio estava em suposto surto e os policiais usaram arma de choque antes de atirar, mas a classificaram como insuficiente para contê-lo. Três agentes dispararam em seguida.
A Polícia Civil investiga os dois casos separadamente, apurando se houve legítima defesa ou excesso. Os quatro policiais do caso Moema foram afastados das atividades operacionais.
O aumento de mortes em ações policiais também aparece em São Paulo. Segundo levantamento anterior, as mortes em operação policial sobem no estado desde 2023.
"Normalmente a reação a uma ameaça desse tipo, que é iminente, emergente e perigosa, é dois tiros na direção do peito do oponente, que é uma medida até internacional de reação", disse o coronel José Vicente da Silva Filho, da PM, à TV Globo.
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José Vicente, ex-secretário nacional de Segurança Pública, afirmou que os casos indicam necessidade de revisão dos procedimentos. "Houve uma reação destemperada, mas o que deve estar por trás disso é um cuidado da Polícia Militar de fazer uma revisão dos seus protocolos", disse.
A família de Gustavo contesta a versão da PM, que classificou a ação como legítima defesa. Segundo a advogada da família, os parentes acreditam que o jovem foi tratado como suspeito por ser negro.
A família já havia relatado abordagens policiais violentas contra Gustavo antes da morte, e nesta quinta (15) contestou publicamente as declarações do secretário de Segurança Pública sobre o caso.
Na prática, as duas mortes mostram a distância entre o protocolo que a própria PM diz seguir e o que aconteceu nas ruas.
A Secretaria de Segurança Pública de SP disse que o procurador-geral de Justiça vai designar um promotor para acompanhar as duas investigações. Os casos ocorrem num momento de recorde de letalidade policial no Brasil, com 6.602 mortes em ações policiais em 2025.
O que acontece agora
A Polícia Civil segue apurando os dois casos, e um promotor de Justiça vai acompanhar as investigações a partir de agora. Quem precisa de apoio emocional ou está em crise pode ligar para o CVV, no 188, serviço gratuito e sigiloso.





























