O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou um caso de doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A propriedade tem cerca de 6 mil aves, e nenhuma apresentou sintomas clínicos, segundo a pasta.

O caso foi identificado por um programa de vigilância ativa. A coleta de amostras ocorreu em 21 de setembro, e o resultado, em 14 de outubro, indicou possível infecção, levando à suspensão das atividades da granja. A confirmação saiu em 18 de outubro.

Segundo o secretário substituto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, nesta segunda (19), o resultado foi classificado como positivo conforme os critérios da OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal).

É importante destacar que o consumo dessa carne não traz riscos para as pessoas.

A afirmação é do ministro André de Paula, em Brasília.

O ministério iniciou as operações para eliminar o foco da doença: as aves da propriedade serão sacrificadas, e as instalações passarão por limpeza e desinfecção. A retomada da produção depende do cumprimento dos protocolos sanitários e da ausência de novos casos.

A vigilância abrange Nova Itaberaba e mais três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias, com 133 granjas na área de monitoramento. O governo também prevê uma portaria de emergência sanitária para os quatro municípios.

Galinhas em granja avícola cercada por tela
Granja avícola, em imagem de arquivo. Foto: Medol/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O que é a doença de Newcastle?

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres, causada pelo paramixovírus aviário sorotipo 1. Nas aves, provoca sinais respiratórios, depois nervosos, diarreia e edema de cabeça. Em humanos, o risco é baixo.

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O vírus pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, por cerca de uma semana. A transmissão ocorre por contato, não pelo consumo da carne.

Por que isso pode afetar as exportações?

Em 2024, um caso semelhante no Rio Grande do Sul levou a China a embargar a carne de frango brasileira por meses. Desta vez, o governo ainda não recebeu notificação de suspensão, e diz que as discussões com os chineses apenas começam.

"Não queremos antecipar a reação de parceiros, as discussões com a China começam agora", disse o secretário Rafael Requião, do Ministério da Agricultura.

O governo trabalha com protocolos de regionalização, que restringem a medida à área afetada para evitar um embargo mais amplo. A OMSA já foi notificada do caso.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, com recorde de 5,3 milhões de toneladas embarcadas em 2025. Entre janeiro e setembro de 2026, vendeu 420,4 mil toneladas à China, que também vem ampliando sua própria produção, por US$ 1,15 bilhão.

A relação com a China já estava tensa: em setembro, o fim de uma cota fez a exportação de carne do Brasil derreter, em outro produto.

O agronegócio brasileiro vem de recorde: em julho, as exportações do setor somaram US$ 16,34 bilhões.

O que acontece agora

O Mapa segue monitorando as 133 granjas da área e aguarda a reação de parceiros comerciais, incluindo a China, nos próximos dias.