O surto de ebola na República Democrática do Congo já matou 2.325 pessoas e chegou a 4.945 casos confirmados, segundo dado do governo congolês de 16 de agosto. É o mais mortal da história do país, e só fica atrás do surto de 2014-2016 na África Ocidental, que matou 11.310 pessoas.

O surto atual chegou a 2 mil mortes em menos de três meses. O de 2014-2016 levou quase cinco meses para atingir a mesma marca.

A taxa de letalidade subiu de cerca de 20% em junho para 46% em agosto, quase 1 em cada 2 casos confirmados morre.

O vírus é da espécie Bundibugyo, para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Vacinas e terapias experimentais estão em avaliação.

Já existe vacina aprovada para a espécie Zaire do ebola, usada com sucesso em surtos anteriores na Guiné e na própria RD Congo.

A disseminação rápida é atribuída à fragilidade da infraestrutura de saúde local, à resistência de comunidades e à instabilidade na região, que dificultam a identificação de casos.

Nem toda a região viveu o mesmo cenário.

Uganda, vizinho da RD Congo, conteve seu próprio surto a 2 mortes e 20 casos confirmados antes de declará-lo encerrado em julho.

Os três casos suspeitos que o Brasil já descartou

O Ministério da Saúde publicou, em 1º de junho, nota técnica reforçando com estados e municípios as ações de vigilância, preparação e resposta à doença.

Três casos suspeitos já foram notificados e descartados no país.

No Rio de Janeiro, um viajante vindo de Uganda, hospedado no bairro de Vila Isabel, teve calafrios, tosse e diarreia. Exames de saliva, urina e sangue pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) deram negativo.

Em São Paulo, um homem de 37 anos com histórico de viagem à RD Congo teve exame negativo, e o diagnóstico posterior apontou doença meningocócica.

Uma mulher de 31 anos que retornara do país africano também teve a suspeita descartada, em dois exames laboratoriais.

O que falta para o Brasil estar pronto

Os três casos suspeitos até agora testaram o sistema sem exigir dele o que mais falta: uma vacina específica para a variante Bundibugyo, hoje inexistente. A vacina aprovada no mundo protege contra a variante Zaire, não a que circula na RD Congo.

Fica a pergunta se a resposta brasileira, montada em cima de um vírus para o qual já existe vacina, dá conta de um cenário em que ela ainda não existe.