A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na quinta-feira (5 de novembro) a Operação Azzardo contra bets ilegais que usaram empresas de fachada, entre elas uma loja de tarô, para movimentar mais de R$ 700 milhões no DF e em cinco estados.
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em bens dos investigados.
A operação é conduzida pela Draco/Decor, delegacia de repressão ao crime organizado da PCDF. Mobilizou cerca de 200 policiais civis, que cumpriram 50 mandados de busca e apreensão, 24 deles no Distrito Federal.
As buscas ocorreram em Sobradinho, Planaltina e Ceilândia, no DF, e também na região da Faria Lima, em São Paulo. Outras diligências aconteceram em Goiânia, Curitiba, Fortaleza e Natal.
A investigação começou após um alerta do Ministério da Fazenda, que identificou bets sem autorização federal mesmo antes da Medida Provisória que proíbe esse tipo de aposta no Brasil.
Como funcionava o esquema
O esquema funcionava em três camadas. O apostador pagava via Pix em site de apostas sem autorização, e o dinheiro ia para empresas de fachada registradas em nome de laranjas em Sobradinho e Ceilândia, no Distrito Federal.
Uma fintech paulista autorizada pelo Banco Central, a A55 Sociedade de Crédito, processou cerca de R$ 1 bilhão do esquema. A operação mira o caminho do dinheiro depois da aposta, não o apostador.
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As empresas de fachada se escondiam atrás de loja de tarô e clínica de atendimento psicossocial. Pontos comerciais vazios chegaram a estampar placa de "aluga-se". Em um endereço de Ceilândia, dez empresas fictícias compartilhavam o mesmo número de telefone corporativo.
A Justiça determinou a proibição de abertura de novas contas bancárias por 90 dias e quebrou o sigilo bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 empresas. Ao todo, 64 pessoas e 120 empresas tiveram contas bloqueadas, e 100 CNPJs foram suspensos.
A ação se soma a outras operações contra bets ilegais depois que o Brasil baniu esse tipo de aposta. Em outubro, a Polícia Civil de São Paulo já tinha travado R$ 154 milhões em esquema parecido.
O número de bets ilegais cresceu rapidamente depois da proibição das plataformas legais, o que ajuda a explicar os valores altos do esquema.
O que acontece agora
Os nomes dos investigados não foram divulgados. A restrição de 90 dias para abrir novas contas bancárias segue valendo enquanto a Justiça analisa o material apreendido nos 50 mandados de busca e apreensão cumpridos no DF e em cinco estados.






























