A Polícia Civil de São Paulo indiciou por organização criminosa o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), e outras 12 pessoas, após concluir que o PCC controla direta ou indiretamente 12 das 22 empresas de ônibus da capital paulista.
O relatório final da Operação Vectura Corrupta foi apresentado à Justiça na sexta-feira (6 de novembro). A polícia pediu a prisão preventiva, sem prazo de validade, dos 13 indiciados.
"É assombroso, mas é correto afirmar que mais da metade das empresas operando o transporte público da maior cidade da América Latina estariam sob controle direto ou influência indireta do crime organizado", afirma o relatório da polícia.
Segundo a investigação, Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que administrou linhas de ônibus da capital paulista por anos. O contrato da Transwolff com a prefeitura foi rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), por suspeita de ligação com o PCC.
O pedido de indiciamento contra Leite se baseia em um áudio encontrado em celular apreendido e em depoimentos de policiais militares à Corregedoria da PM, ligados a supostas conexões dele com empresas alvo da Operação Fim da Linha, de abril de 2024.
Relembre o caso
Leite foi preso em setembro, suspeito de gerir ônibus ligados ao PCC em São Paulo, e se entregou na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes.
Dias depois, mensagens apreendidas colocaram o ex-vereador no centro do caso. Em outubro, ele foi transferido de cadeia após suspeita de regalias de agentes prisionais.
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Quem mais foi indiciado
Entre os outros 12 indiciados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da estatal SPTrans na gestão Ricardo Nunes, e Danilo Marco Morgado Silva (PL), ex-candidato a prefeito de Praia Grande.
A investigação também aponta suspeita de corrupção de funcionários públicos e financiamento de campanhas municipais de 2024 com dinheiro da facção.
Se condenados, os crimes de organização criminosa preveem pena de 3 a 8 anos de prisão. A polícia optou por denunciar esses crimes agora e seguir investigando separadamente suspeitas de lavagem de dinheiro.
Procurada por g1 e Valor, a defesa de Milton Leite não se posicionou até a publicação das reportagens. Desde a deflagração da operação, o ex-vereador nega de forma veemente qualquer relação com facções criminosas ou com a Transwolff.
O que acontece agora
O pedido de prisão preventiva dos 13 indiciados ainda não foi analisado pela Justiça. A denúncia por organização criminosa segue em tramitação, enquanto a prefeitura de São Paulo lida com o risco de nova licitação em linhas hoje operadas por empresas sob suspeita.






























