O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu nesta sexta-feira (23) que o TSE barre a candidatura de Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito no Rio com 197.178 votos. Ele está preso desde 15 de outubro, suspeito de lavar dinheiro do crime organizado.

Segundo a CNN Brasil, Canella foi alvo da 8ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que apura uma organização criminosa armada suspeita de usar 96 postos de gasolina na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro.

A Justiça determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas ao esquema. Canella está detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona Oeste do Rio.

No parecer enviado ao TSE, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, argumenta que a Corte tem entendimento consolidado de que políticos ligados a organizações paramilitares ou similares não podem disputar eleição, mesmo sem condenação com trânsito em julgado.

Segundo o g1, o processo aponta que Canella teria influenciado a indicação de cargos na cúpula da Segurança Pública estadual para favorecer o grupo criminoso. Ele também teria recebido dinheiro em espécie do esquema.

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O quadro mostra que o avanço contra a candidatura é recente: até setembro, a Justiça Eleitoral do Rio ainda favorecia Canella, e o cenário virou depois da prisão de outubro, quando o STF retirou o sigilo do inquérito que embasa o pedido do MPE.

Por que o TRE havia liberado a candidatura?

O TRE-RJ liberou a candidatura porque, em 6 votos a 1, aceitou recurso da defesa de Canella contra a impugnação do registro, segundo o g1. À época, as acusações contra ele ainda careciam de provas concretas no processo.

Antes da prisão de outubro, o Ministério Público Eleitoral regional chegou a opinar a favor da própria candidatura de Canella, segundo reportagem do site Nossa Rádio FM, por considerar que as denúncias se baseavam só em reportagens de jornal.

O cenário mudou depois que o STF retirou o sigilo do inquérito criminal contra Canella neste mês, após a prisão do deputado eleito. Foi esse material que o MPE usa agora para pedir ao TSE que reforme a decisão do TRE-RJ.

A Polícia Federal também encontrou santinhos de campanha de Canella na casa do irmão do cantor Oruam, como mostrou a TV Sim Brasil.

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O que acontece agora

O recurso do MPE segue para julgamento no TSE, sob relatoria do ministro Sebastião Reis Júnior, que aguarda parecer do procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, antes de pautar o caso, segundo o portal 180Graus. Não há data confirmada para a decisão.

Canella já havia sido preso em outubro na 8ª fase da Operação Unha e Carne, meses depois de ter sido liberado pela Justiça Eleitoral para concorrer.

Em setembro, o TRE-RJ havia autorizado Canella a manter a candidatura, por 6 votos a 1. Se o TSE acatar o pedido do MPE agora, a vaga com a segunda maior votação do Rio para deputado estadual ficará em aberto às vésperas da diplomação.