A iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para importar mais carne bovina e baratear o preço está bem abaixo do previsto na metade do prazo. Em agosto, ele abriu uma cota de 300 mil toneladas com tarifa reduzida, por 90 dias.

Apenas 37.486 toneladas métricas entraram nos EUA em setembro, pouco mais de um terço do volume permitido para o mês, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos. Em outubro, até o dia 19, haviam entrado só 21.937 toneladas.

Por que a cota não enche

A cota paga US$ 44 por tonelada de tarifa, bem abaixo dos 26,4% cobrados fora dela, e foi desenhada para países sem cota própria de carne bovina nos EUA, caso do Brasil, do Paraguai e da Irlanda.

Ainda assim, o volume não decolou. Pecuaristas americanos criticam o plano: os preços do gado vivo caíram 3,4% no dia em que Trump assinou o decreto, antes de se recuperar.

"Temo que estejam tentando resolver um problema de curto prazo com os preços da carne bovina e, com isso, acabem criando problemas de longo prazo para a oferta de gado", disse Ford Drummond, presidente da Associação de Pecuaristas de Oklahoma.

No varejo americano, o desconto prometido por Trump não apareceu com força. O preço médio de uma porção de 500 gramas de carne moída caiu 1,9% em setembro, de US$ 6,92 para US$ 6,79, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

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O que muda para o Brasil

Uma participação brasileira de 30% a 40% da cota representaria embarques de 90 mil a 120 mil toneladas. O país já vinha ganhando espaço no mercado americano antes mesmo da cota.

A carne bovina esteve entre os poucos produtos brasileiros isentos das sobretaxas aplicadas por Trump ao Brasil, ao lado de café solúvel, mel orgânico e pescados.

Com isso, as exportações de carne bovina brasileira aos EUA já haviam subido 385% em agosto, mesmo com o tarifaço geral em vigor. Em setembro, o salto chegou a 524,3% ante o mesmo mês de 2025.

O crescimento não veio da cota, que seguia pouco usada: a carne bovina simplesmente ficou de fora do tarifaço que atingiu outros produtos brasileiros.

No acumulado de janeiro a setembro, as vendas da proteína aos Estados Unidos somaram US$ 1,72 bilhão, alta de 82,9% ante o mesmo período do ano passado.

A disparada nos EUA contrasta com o que acontece no outro grande comprador: desde o início de outubro, a carne bovina brasileira paga tarifa de 67% para entrar na China, depois que o país asiático esgotou sua cota anual de importação.

O que acontece agora

A cota de Trump vale até 30 de novembro, com a última parcela de 100 mil toneladas liberada neste mês.

O decreto que a criou havia zerado a tarifa da carne moída por 90 dias, numa tentativa de conter o preço nos EUA antes das eleições de meio de mandato.