A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) e o ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Marcus Amim, na 8ª fase da Operação Unha e Carne. O esquema teria movimentado R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis.
Os dois foram presos pela manhã. Outros cinco mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão foram cumpridos no Rio, em Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A Polícia Federal determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à rede. Entre elas, 96 são postos de combustíveis suspeitos de camuflar recursos de origem criminosa, segundo a corporação.
Segundo relatório de inteligência financeira do Coaf, o esquema movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, usando mais de 100 empresas de fachada. Dos negócios sob suspeita, quase 9 em cada 10 eram postos de combustível, a fachada preferida do esquema.
O uso de postos de combustíveis como fachada já havia sido associado ao avanço do crime organizado sobre o setor, segundo reportagem sobre a relação do PCC com o setor de combustíveis.
Eleito para o 4º mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197.178 votos. Ele é aliado do ex-governador Cláudio Castro (PL) e já teve o nome indicado ao Senado por Flávio Bolsonaro (PL).
Em setembro, o TRE-RJ já havia mantido a candidatura de Canella apesar da suspeita de elo com milícia.
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Canella já havia sido alvo da operação em julho, quando a PF encontrou um fuzil em seu carro e o prendeu em flagrante. Ele foi solto dias depois, ao alegar que a arma pertencia a seu segurança.
Amim comandou a Polícia Civil do Rio entre 2023 e 2024, no governo Castro.
A Unha e Carne é coordenada pela Força-Tarefa Missão Redentor II, da Polícia Federal, e segue diretrizes do STF na ADPF das Favelas.
A 1ª fase da operação mirou o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, hoje réu por receber vazamento de uma apuração contra o Comando Vermelho. A PF chegou a prender também um desembargador federal em desdobramentos do caso.
O que acontece agora
A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o cumprimento dos mandados contra os policiais investigados, segundo a Polícia Federal. Canella e Amim seguem presos preventivamente. A defesa de Canella disse à Folha de S.Paulo ainda não ter acesso à decisão que autorizou a prisão.





























