A Polícia Federal apreendeu nesta segunda-feira (19) panfletos de campanha do deputado estadual Márcio Canella na casa de Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, irmão do rapper Oruam e filho de Marcinho VP, apontado como líder do Comando Vermelho. Lucca foi preso na Operação Backbone.

Canella é do União Brasil. Os panfletos não traziam o número do candidato: havia um QR Code que levava a uma página de links do político, com pedido de voto para ele e para Antonio Rueda, eleito deputado federal.

Canella já estava preso: foi detido pela PF na quinta-feira (15), em outra investigação, a Operação Unha e Carne. Ela o aponta como articulador de uma organização armada que usava 96 postos de combustível na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro.

Em nota, a defesa do deputado afirmou que ele confia "em Deus e na Justiça" e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos.

O que é a Operação Backbone

A Operação Backbone mira o monopólio de serviços de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio. A PF cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em seis municípios fluminenses.

Segundo a PF, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de operadoras concorrentes. Isso obriga moradores a contratar a chamada "internet do tráfico", que virou uma das principais fontes de renda da facção nas comunidades dominadas.

No Complexo da Penha, a cobrança mensal da tarifa chegou a responder por mais de 40% da arrecadação do grupo.

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Até a última atualização, 19 dos 23 mandados haviam sido cumpridos. Além de Lucca, foram presos Márcia Gama Nepomuceno, mãe dele e de Oruam, e o vereador do Rio Fábio Silva (Podemos).

Um mandado também foi cumprido contra Marcinho VP, já encarcerado, que segundo a PF "continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios".

Oruam não foi preso nesta operação. O rapper está na Europa, onde faz shows sob medida cautelar.

Segundo a Polícia Civil do Rio, ele é investigado, junto com a mãe e o irmão, por suposta participação na estrutura que recebia, dividia e transferia dinheiro do tráfico de drogas.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas.

O caso é o mais recente capítulo de uma sequência de ações contra Canella: ele foi preso na própria quinta-feira pela Operação Unha e Carne, depois de o TRE-RJ manter sua candidatura mesmo sob suspeita de elo com milícia.

Também não é a primeira vez que a Justiça trata do caso da família de Oruam: em setembro, o rapper deixou de ser foragido após um novo habeas corpus.

O que acontece agora

A PF informou que vai oficiar a Anatel para cassar as outorgas e interditar os serviços das empresas usadas no esquema. As atividades econômicas das pessoas jurídicas envolvidas já foram suspensas pela Justiça.