O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) anunciou nesta sexta-feira (23) um investimento de R$ 6,3 milhões na compra de 184 drones para as polícias dos 27 estados. O equipamento, com câmera térmica, será usado contra o crime organizado.

São 128 unidades do modelo Matrice 4T, que custaram cerca de R$ 5,78 milhões, e 56 unidades do Avata 2, que somaram R$ 541,5 mil. A distribuição será feita pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) a todos os estados.

O que os drones conseguem fazer?

O Matrice 4T tem câmera infravermelha de até 1.280 por 1.024 pixels com super-resolução, zoom térmico de 28 vezes e telêmetro a laser com alcance de 1.800 metros. A autonomia de voo chega a 49 minutos.

Já o Avata 2 grava em 4K e tem pilotagem em primeira pessoa (FPV), recurso que facilita o reconhecimento ágil de áreas de difícil acesso. Cada unidade do Matrice 4T custou cerca de R$ 45 mil; o Avata 2, cerca de R$ 9,7 mil.

"As organizações criminosas utilizam recursos tecnológicos, ultrapassam fronteiras estaduais", disse o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, ao justificar a compra. Segundo ele, os drones vão reforçar inteligência policial, policiamento preventivo e apoio a operações integradas.

O argumento sobre fronteiras ganhou repercussão em outubro, quando veio à tona que o PCC usava o Chile como base para traficar droga a mais de 20 países.

Para que mais os drones servem?

Além do combate ao crime organizado, o equipamento também vai apoiar ações de resposta a desastres, por meio do programa Respad (Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres).

Publicidade

O pacote de drones é parte de um investimento maior: R$ 37 milhões ao todo em tecnologia de segurança, segundo o ministro.

A lista inclui sistemas antidrone para sete estados até dezembro. A expansão nacional só está prevista a partir de 2027 — a maior parte do país ainda vai operar sem essa camada de defesa até lá.

Outras forças de segurança já usam drones de forma semelhante. A PRF utiliza câmeras e drones para monitorar rodovias e apoiar prisões, numa das frentes que inspiraram a expansão nacional do equipamento.

O investimento em tecnologia acontece num momento de reforço geral do combate ao crime organizado pelo MJSP, que em agosto desarticulou uma rede criminosa que atuava pela internet.

O que acontece agora

A Senasp ainda vai detalhar o cronograma de entrega dos drones aos estados. O sistema antidrone, mencionado pelo ministro como próxima etapa do investimento, deve chegar a sete estados até dezembro deste ano.