O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (19), pela rede Truth Social, uma nova ofensiva contra o Irã que ele batizou de "Dia D Econômico". A medida mira qualquer país que mantenha relações comerciais com o regime iraniano, e o Brasil, que ampliou o comércio com Teerã, está na lista de expostos.

O que Trump anunciou

"Hoje anuncio a operação econômica mais devastadora já empreendida contra qualquer país. Será uma guerra econômica e um isolamento em uma escala sem precedentes", escreveu Trump na Truth Social.

Ele pediu que os aliados dos EUA se unam para isolar o que chamou de ameaça iraniana. A ofensiva promete atingir contrabando de petróleo, linhas de câmbio, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada ligadas ao Irã.

Trump não detalhou sanções específicas nem citou países nominalmente. A ameaça atinge de forma direta grandes compradores de petróleo iraniano, como China e Índia, além de aliados dos Estados Unidos, caso da Alemanha, da Coreia do Sul e do Japão.

Como o Brasil está exposto

O Brasil integra o grupo dos Brics ao lado do Irã e ampliou o comércio com o país persa. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras somaram US$ 1,34 bilhão, e as importações, US$ 29,5 milhões.

O total do período é US$ 1,37 bilhão, uma alta de 15% sobre o mesmo intervalo de 2025. O Brasil vende soja, farelo de soja e milho ao Irã, e compra do país nozes, peças aeroespaciais e drones.

Trump não especificou sanções contra o Brasil. Mas o país já enfrenta uma tarifa de 25% mais uma sobretaxa de 12,5% imposta pelos EUA em julho, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado.

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, rebateu o anúncio. Para ele, a ofensiva é uma tentativa de desviar a atenção de problemas econômicos internos dos Estados Unidos, como a alta da dívida pública e o custo crescente dos juros.

Segundo Araghchi, a medida deve resultar em "uma nova derrota" para Washington.

O que ainda não está definido

Trump não deu prazo para os países cortarem laços comerciais com o Irã, nem disse se o Brasil está entre os alvos imediatos.

Falta saber se o país entra na mira antes de o Itamaraty concluir o processo de reciprocidade que abriu em 14 de agosto contra as tarifas americanas já em vigor.

O pedido foi enviado ao Departamento de Estado, ao Departamento de Comércio e ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).