Protestos por causa da disparada nos preços de combustíveis atingiram Síria, Guatemala, Indonésia, Romênia e Portugal nesta semana, com bloqueios de rodovias e queima de pneus. O petróleo segue acima de US$ 100 o barril desde o início da guerra entre EUA e Irã.
Na Síria, o governo elevou o preço do diesel em 40%, para o equivalente a US$ 1,43 o litro, e o da gasolina em mais de 25%. O país viveu os maiores protestos desde a queda do regime de Bashar al-Assad, há dois anos.
Na Guatemala, caminhoneiros e ativistas bloquearam estradas e incendiaram veículos na cidade de Villa Nueva. Dois policiais ficaram feridos a tiros numa sexta-feira, durante confronto com moradores nos bloqueios. Sindicatos cobram do governo, há dois meses, uma intervenção para baixar o preço nas bombas.
Protestos por causa do combustível também atingiram a Indonésia, a Romênia e Portugal nesta semana. Na Indonésia, a alta soma-se à insatisfação com um programa de merenda escolar gratuita, alvo de manifestações recentes.
Por que o petróleo está tão caro?
O barril do petróleo Brent segue acima de US$ 100 desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, em 28 de fevereiro. Antes do ataque, o preço rondava entre US$ 60 e US$ 70 o barril.
O conflito interrompeu parte do fornecimento de energia do Oriente Médio e pressionou o custo do diesel e da gasolina em países que dependem de importação.
No Brasil, o mesmo choque também chegou aos postos, mas sem as cenas de rua vistas lá fora. O preço do diesel subiu nas refinarias sem repasse imediato ao consumidor, efeito da política de preços da Petrobras.
O governo federal já gastou R$ 47 bilhões para segurar o preço dos combustíveis no país neste ano, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta quinta-feira (17), o petróleo Brent recuou a US$ 102,13 o barril, após a Arábia Saudita anunciar a retomada parcial de um oleoduto atingido por drones. O alívio ao consumidor brasileiro ainda tem prazo para chegar.
O que acontece agora
Em abril, uma onda parecida de protestos por combustível levou a Irlanda a bloquear rodovias e a única refinaria do país. O governo irlandês só conteve a crise com um pacote de 505 milhões de euros e corte de impostos sobre o combustível.
Os governos de Síria, Guatemala e Indonésia ainda não anunciaram medidas semelhantes para conter os protestos desta semana.


























