Japão e Estados Unidos negociam a construção de uma fábrica de semicondutores em solo americano, avaliada em até US$ 19 bilhões, informou a Nikkei Asia nesta quinta-feira (17). O projeto integra o pacote de US$ 550 bilhões que o Japão investe nos EUA.
A fábrica seria operada pela GlobalFoundries, com foco em semicondutores de lógica, chips usados em smartphones, carros e data centers. Segundo a Nikkei, as negociações ainda estão em curso, sem acordo fechado nem local definido nos Estados Unidos.
O valor do projeto varia entre 2 trilhões e 3 trilhões de ienes, o equivalente a US$ 19 bilhões na cotação atual.
O pacote de US$ 550 bilhões foi um dos pilares do acordo tarifário fechado entre os países em 2025.
O momento é de protecionismo crescente dos EUA sobre a cadeia de chips. Em agosto, Trump já havia taxado o polissilício em 15% para proteger a indústria americana de chips e energia solar.
Sob o acordo, o presidente americano também reduziu a tarifa sobre automóveis importados do Japão. O objetivo declarado é reduzir a dependência dos EUA de fornecedores da China e de Taiwan.
Taiwan e China respondem hoje pela maior parte da produção mundial de chips avançados. Mesmo com um quarto das empresas chinesas do setor no prejuízo, a produção chinesa de chips de inteligência artificial segue em expansão.
O que muda na corrida global por chips
A disputa por fábricas de semicondutores deixou de ser só comercial e virou questão de segurança nacional para os EUA. Washington cobra parceiros como Japão e Coreia do Sul por investimento direto em solo americano, não só compra de chips prontos.
A Samsung, que investiu US$ 231 milhões em rival da Nvidia para chips de IA, e a TSMC ampliam operações nos EUA. A corrida por fábricas em solo americano virou moeda de troca nas negociações comerciais de Trump com aliados asiáticos.
O efeito no Brasil
O Brasil importa mais de 85% dos semicondutores que usa, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Um carro moderno leva entre mil e 3 mil chips, o que torna a indústria automotiva brasileira vulnerável a qualquer solavanco na cadeia global.
Para reduzir essa exposição, o Brasil articulou um bloco regional de semicondutores na América Latina. Em julho, um decreto criou o programa Brasil Semicondutores, com meta de dobrar a fatia do país na cadeia global de chips, de 1% para 2% até 2033.
Sem fábrica própria de chips avançados, o Brasil segue dependente de decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância, como a que Japão e EUA negociam agora.
O que acontece agora
As negociações ainda não têm data para terminar nem local definido nos Estados Unidos para a fábrica, segundo funcionários dos dois governos ouvidos pela Nikkei. Um anúncio formal depende do aval final de Tóquio e Washington.


























