O iFood anunciou nesta semana investimento recorde de R$ 24 bilhões no Brasil, entre abril de 2026 e março de 2027, alta de 41% sobre o ciclo anterior. O anúncio chega em meio a disputas no Cade e na Justiça contra rivais.

O anúncio foi feito no iFood Move 2026, evento para restaurantes, varejo e conveniência realizado em 16 e 17 de setembro no São Paulo Expo, que coincidiu com os 15 anos da empresa.

Onde o iFood vai investir?

O dinheiro vai para quatro frentes: fortalecer os restaurantes parceiros, expandir categorias como farmácias, supermercados e pet shops, desenvolver tecnologia própria e criar soluções além do delivery, como a fintech iFood Pago.

Segundo o CEO Diego Barreto, o mercado brasileiro "segue imaturo" e a empresa mantém a liderança em níveis comparáveis aos de antes, enquanto concorrentes perderam força num mercado que cresceu como um todo.

Que disputas cercam o anúncio?

O investimento vem em meio a duas frentes de disputa. Em maio, a Vara Empresarial de São Paulo condenou a 99Food por concorrência desleal e propaganda comparativa ilegal, em ação movida pelo iFood; a empresa disse que vai recorrer.

No fim de agosto, o iFood levou à Keeta, rival apoiada pela chinesa Meituan, uma denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A alegação é de que a concorrente opera com lucro negativo por pedido, subsidiada pela controladora.

O iFood também assinou um termo de compromisso de três anos com o Cade, válido até meados de 2027, sobre suposta exclusividade anticompetitiva com restaurantes parceiros.

O que acontece agora

Enquanto a disputa corporativa avança, cresce a pressão sobre as condições de trabalho no setor. Entregadores já denunciaram Keeta e 99Food ao Ministério Público do Trabalho por bônus prometidos durante uma greve.

O pano de fundo é mais amplo: o trabalho por aplicativo cresceu 37% em 3 anos, mas paga 12% menos por hora do que outras formas de trabalho, segundo dado do setor.