O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou neste domingo (4) no Colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, em São Paulo. Antes de entrar na cabine, ele exibiu o celular às câmeras e o deixou com os mesários.

Ele chegou ao colégio por volta de 15h30, ficou cerca de 15 minutos na fila e votou às 15h45, segundo o Poder360. Moraes chegou acompanhado de seguranças e deixou o local em poucos minutos, sem falar com a imprensa.

Alexandre de Moraes fala ao microfone em entrevista coletiva
Alexandre de Moraes em entrevista coletiva; imagem de arquivo (Foto: O Tribunal da Democracia/Openverse)

Por que ele mostrou o celular

O gesto de Moraes veio depois de o candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) levar um celular para a cabine de votação, prática vetada pela Justiça Eleitoral. O aparelho de Moraes ficou do lado de fora, com o segurança dele.

Também viralizaram vídeos do ministro Gilmar Mendes, decano do STF, sugerindo que ele estaria com um celular na cabine. A assessoria do magistrado afirmou que o objeto era uma carteira funcional com a cola eleitoral.

Por que a eleição interessa a Moraes

Moraes vive um momento de pressão dentro do Supremo. Parlamentares de direita, críticos a ele sobretudo pelo julgamento de Jair Bolsonaro (PL), tentam formar maioria no Senado para pautas como o impeachment de ministros da Corte.

O ministro também virou personagem de uma crise interna após investigações sobre o caso do Banco Master apontarem mensagens entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.

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Um documento citou encontros presenciais entre os dois e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Moraes não foi denunciado nem condenado em relação ao caso.

As informações vieram à tona depois de o ministro André Mendonça pedir a quebra de sigilo de relatórios da Polícia Federal, e o STF chegou a decidir se abre investigação contra Moraes por causa dos contatos com Vorcaro.

Moraes acusou o colega de agir com parcialidade e de vazar documentos seletivamente. Mendonça negou as acusações e disse ter preservado dados legais.

Em 15 de setembro, os dois bateram boca durante uma sessão sobre o caso, e o ministro Flávio Dino pediu vista do processo. O presidente do STF, Edson Fachin, negou o julgamento conjunto dos dois e abriu uma petição própria, da qual é relator.

O resultado da eleição deste domingo pode mudar a composição do Senado que vai decidir o futuro de pautas sobre o Supremo, incluindo pedidos de impeachment de ministros. A petição aberta por Fachin sobre o caso Vorcaro ainda não tem data de julgamento.