É falso que o avião militar dos Estados Unidos ligado à captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro continue no Brasil para retirar o presidente Lula em caso de derrota eleitoral. A aeronave deixou o país em 24 de setembro, dez dias antes da publicação.
O avião, um Lockheed Martin HC-130J Combat King II, esteve na Base Aérea de Campo Grande (MS) entre 9 e 24 de setembro, no Exercício Conjunto Tápio 2026, com a Força Aérea Brasileira (FAB) e militares de outros países.
Segundo a FAB, a atividade simulou operações de resgate em áreas remotas e apoio em cenários de crise.

O que a publicação falsa afirma?
A publicação afirma que o avião ficou no Brasil à espera de uma fuga de Lula em caso de "golpe". Ela é do influenciador Pablo Marçal, com 13,9 milhões de seguidores, e traz a legenda "Se tiver golpe, já sabe".
Segundo o Projeto Comprova, do UOL, Marçal usou imagens do avião de fins de setembro, quando a aeronave ainda estava em Campo Grande, apresentando-as como atuais. O material foi combinado a trechos de uma reportagem da CNN Brasil sobre o exercício militar.
A mistura deu aparência de notícia a uma teoria sem comprovação — um padrão que cientistas descrevem como o que mais convence: a desinformação que parte de um fato real.
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Marçal foi barrado da disputa à Presidência pelo TSE em setembro e está inelegível até 2032. Ele não é candidato nesta eleição, o que não o impediu de alcançar grande alcance com a publicação.
Esse é mesmo o avião que capturou Maduro?
Também não há confirmação pública de que a aeronave que esteve em Campo Grande seja a mesma usada na operação contra Maduro, ocorrida em janeiro. Veículos de imprensa associaram o avião à captura.
Um levantamento de rastreamento de voos, porém, levanta dúvida sobre essa ligação. A aeronave que pousou em Campo Grande tem a matrícula 17-5870 e pertence ao 102º Esquadrão de Resgate da Guarda Aérea Nacional de Nova York.
Pelo rastreio público de ADS-B, ela estava na Suécia em 25 de agosto e na Irlanda do Norte um dia depois. Chegou a Nova York em 28 de agosto, de onde decolou rumo ao sul em 7 de setembro, pousando no Brasil dois dias depois.
Não há registro no rastreio público que associe esse avião específico à operação de janeiro contra Maduro. A dúvida sobre a identidade exata da aeronave é o que abriu espaço para a desinformação se sobrepor ao fato real.
Em 23 de setembro, um dia antes de deixar o país, a aeronave ainda aparecia no rastreio público a 13 mil pés sobre o município de Bodoquena, no interior de Mato Grosso do Sul.
Voos militares estrangeiros no Brasil precisam de autorização do ministro de Estado da Defesa, por força da Lei Complementar nº 90, de 1997. O ex-presidente venezuelano está preso nos Estados Unidos desde janeiro e segue detido em Nova York.
O caso do avião surge na mesma semana em que a ONU disse acompanhar a "preocupante disseminação de desinformação" que afeta eleições em diferentes países, incluindo o Brasil.





























