O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (16) que o presidente do STF, Edson Fachin, tem a responsabilidade de impedir que a crise em torno do Banco Master atrapalhe o 1º turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
A fala foi dada em entrevista ao podcast Desce a Letra. "O que não dá é a sociedade ficar assistindo a esse denuncismo", disse Lula.
Ele atribuiu a criação do Banco Master à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, indicado pela oposição.
A cobrança veio um dia depois de sessão tensa do STF, na terça-feira (15). Os ministros votaram por 4 a 3 para julgar em separado os processos contra Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Flávio Dino votou pela junção dos processos, mas pediu vista antes da proclamação do resultado.
Por que a fala de Lula reforça o poder de Fachin
Segundo a analista de Judiciário do JOTA Flávia Maia, ao programa WW, da CNN Brasil, a fala de Lula busca reforçar a Fachin os poderes que o cargo de presidente do STF já lhe confere pelo regimento interno.
"Como o presidente do Supremo, ele tem muitas prerrogativas que o regimento traz para ele, alguns poderes que o regimento traz para ele", afirmou Flávia Maia.
Na sessão de terça (15), Dino questionou decisões de Fachin à frente da presidência, entre elas a transferência de um procedimento que estava com Mendonça para as mãos do próprio Fachin.
Fachin respondeu que não avocou o processo para si. Segundo ele, ao recebê-lo de Mendonça, encaminhou a matéria ao plenário, por entender que investigar um ministro é atribuição do colegiado.
"Eu entendo que a fala do Lula é para ele usar mais essas prerrogativas que ele tem como presidente", disse Flávia Maia. Para ela, Fachin enfrenta dificuldade de liderança dentro da corte, com uma personalidade menos voltada ao conflito.
A cobrança pública também chega em meio a desgaste eleitoral. Pesquisas divulgadas nesta semana indicam Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em simulações de segundo turno.
A defesa de outro alvo do caso, o pai do banqueiro Daniel Vorcaro, cobrou Fachin após 90 dias de prisão sem revisão.
A crise em torno do STF já vinha se formando antes do episódio do Banco Master, segundo análise de professor da FGV.
O que acontece agora
O STF volta a discutir o caso em 23 de setembro, quando Dino deve apresentar seu voto sobre a junção ou separação dos processos. Fachin ainda não detalhou as regras para o pedido de investigação contra Mendonça.










































































































