A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a 10ª fase da Operação Overclean, mirando R$ 80 milhões em contratos de educação de Belo Horizonte. Um pedido da PF para investigar o ex-prefeito ACM Neto foi negado pelo STF, que considerou não haver base legal suficiente.

Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados. Os alvos da fase são o ex-secretário municipal de Educação de BH, Bruno Barral, e os empresários Marcos Moura e Alex Parente, sócios da empresa Larclean Saúde Ambiental.

Barral não é estreante na operação. Em abril de 2025, o ministro Kássio Nunes Marques já havia determinado seu afastamento do cargo, citando indícios reunidos pela PF.

Na ocasião, um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontava "atuação coordenada dos envolvidos para ocultar patrimônio e destruir provas".

O nome de Barral liga as duas pontas da investigação: ele comandou a Secretaria de Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto como prefeito e, depois, assumiu a mesma pasta em Belo Horizonte, em abril de 2024.

Por que a PF queria investigar ACM Neto

A Polícia Federal pediu autorização para buscas relacionadas a ACM Neto sob a hipótese de que ele teria participado da indicação de Barral para a Secretaria de BH, articulação que estaria ligada à escolha de fornecedores em contratações futuras.

O ministro Kássio Nunes Marques, relator da Overclean no STF, negou o pedido. A negativa chama atenção porque a PGR havia apresentado parecer favorável à diligência, e coube só ao relator decidir o contrário.

ACM Neto negou publicamente ter conhecimento de irregularidades na cúpula do União Brasil e atribuiu a nomeação de Barral em Minas Gerais ao prefeito de BH, Fuad Noman.

Não é a única frente que cita o nome de ACM Neto neste mês. O banqueiro Daniel Vorcaro o acusou de cobrar comissão sobre aportes de fundos de previdência ao Banco Master, numa proposta de delação rejeitada pela PF e pela PGR.

ACM Neto também nega essa segunda acusação.

O tamanho da Overclean até aqui

A Overclean começou em dezembro de 2024 e já teve pelo menos 8 fases anteriores a esta.

Em agosto de 2026, a PF indiciou o empresário Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", e mais 24 pessoas num núcleo da operação que já soma R$ 1,4 bilhão em contratos e obras sob suspeita de fraude.

Em julho de 2025, o STF já havia bloqueado R$ 85,7 milhões por suspeita de fraude em emendas parlamentares dentro da mesma operação. A 10ª fase, direcionada à educação de BH, é a mais recente de uma investigação que já dura quase dois anos.

O ponto em aberto

O caso expõe uma tensão institucional que vai além dos indiciados. Quando a PGR pede uma diligência e o relator do STF nega, uma linha de apuração fica fechada ali, sem que o plenário da Corte precise se manifestar.

Enquanto isso, o nome do secretário que liga Salvador a Belo Horizonte segue sendo o único elo formalmente investigado entre as duas gestões.