O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, classificou nesta quarta-feira (19) o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 antes das eleições de "populista, eleitoreiro, de voto". A declaração ocorreu durante evento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em Brasília.

Segundo o governador, ele não ocupa cargo legislativo e por isso não tem poder de voto sobre a proposta. Por essa razão, disse, evita fixar posição pública favorável ou contrária à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1.

"Neste momento, vários parlamentares vão analisar a condição dele hoje também de sobrevivência, sendo que o Lula simplesmente disse: 'Olha, tome agora que o filho é teu'", disse Caiado, ao criticar o ritmo dado pelo governo federal à pauta.

A PEC 221/2019 reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salário, e garante duas folgas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos.

A Câmara dos Deputados aprovou o texto em dois turnos em maio, sob relatoria do deputado Léo Prates (Republicanos-BA).

O texto está agora no Senado. Segundo o cronograma definido pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a PEC foi enviada às comissões em 14 de agosto, mesmo dia de uma reunião entre Alcolumbre e Lula sobre a pauta do Congresso.

A votação em plenário só deve ocorrer na semana de 5 de outubro, depois do primeiro turno das eleições.

O calendário contraria, na prática, a acusação de pressa eleitoreira feita por Caiado.

Não é a primeira vez que o governador faz essa crítica. Em julho, durante debate promovido pela Confederação Nacional do Comércio, ele já havia chamado a aprovação da pauta às vésperas da eleição de irresponsável.

Na ocasião, defendeu que a jornada seja negociada diretamente entre trabalhador e empregador, sem imposição do governo federal.

Se aprovada, a mudança não é imediata. Pelo acordo fechado em maio entre a Câmara e o governo, nos primeiros 60 dias após a promulgação a escala 6x1 já acaba e a jornada cai de 44 para 42 horas semanais.

Só depois, em até 12 meses, a semana chega às 40 horas, com duas folgas fixas.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado ainda não tem data marcada para analisar o relatório antes do envio ao plenário.