Sete cooperativas do Paraná assumiram, em 1º de agosto, a Esmagadora Campos Gerais, em Ponta Grossa, que antes pertencia à multinacional Louis Dreyfus Company. A produção começou dois dias depois, em 3 de agosto.
A negociação foi anunciada em março e dependia da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), concluída dentro do prazo estimado pelas cooperativas, o segundo semestre do ano.
São elas Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus. A Frísia lidera a gestão operacional do consórcio.
O investimento no negócio foi de R$ 1,7 bilhão. A fábrica tem capacidade para esmagar 3.500 toneladas de soja por dia e armazenar 300 mil toneladas de grãos, num terreno de 58 hectares. A unidade emprega cerca de 200 pessoas diretamente.
O que a fábrica produz?
A planta gera óleo de soja degomado, usado principalmente para biocombustível, além de farelo de soja para o mercado interno e para exportação. Lecitina e casca de soja completam a produção, destinadas à ração animal e à indústria de alimentos.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior, celebrou o anúncio: "Atenção Ponta Grossa, tem mais emprego e investimento chegando. As sete cooperativas acabaram de anunciar, junto com o Governo do Estado, R$ 1,7 bilhão em uma esmagadora de soja".
Já o superintendente da Frísia, Mario Dykstra, destacou o ineditismo da parceria: "Esse empreendimento demonstra a maturidade do cooperativismo paranaense. Sete cooperativas decidiram unir forças para investir na industrialização da soja, agregando valor à produção dos cooperados".
Juntas, as sete cooperativas somam cerca de 57 mil produtores associados, 16 mil empregados, 2,1 milhões de hectares cultivados e faturamento anual conjunto acima de R$ 47 bilhões.
É a maior intercooperação já registrada no Paraná. Pela primeira vez, sete cooperativas dividem a gestão de uma única planta industrial, num negócio que tira o ativo das mãos de uma multinacional.
A aquisição integra o plano estratégico da Frísia para o período de 2025 a 2030, de verticalizar a produção. Dykstra resumiu a lógica em outra declaração: "Ao integrarmos etapas produtivas, desde o recebimento da matéria-prima até a industrialização e comercialização dos derivados, ampliamos nossa eficiência".


























