O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fizeram nesta segunda-feira (17) o primeiro compromisso público juntos desde a reaproximação entre os dois, em visita a um navio-sonda da Petrobras no Amapá. A visita ocorre três dias após a estatal anunciar a descoberta de hidrocarbonetos na Margem Equatorial.

Lula e Alcolumbre visitaram juntos o navio-sonda instalado no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá, no município de Oiapoque.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, ainda sem volume definido.

Por que os dois ficaram quatro meses sem se falar

A relação entre Lula e Alcolumbre se desgastou depois que o Senado rejeitou, sob articulação do próprio Alcolumbre, a indicação de Jorge Messias, então advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. Os dois ficaram cerca de quatro meses sem se falar.

O racha só foi encerrado em 12 de agosto, num jantar de mais de três horas na casa do ministro do STF Alexandre de Moraes, que mediou o encontro ao lado do ministro Cristiano Zanin.

Segundo relatos, os dois expuseram as mágoas acumuladas e encerraram a conversa avaliando que "o jogo estava zerado".

A visita ao Amapá nesta segunda foi o primeiro compromisso público dos dois depois desse jantar reservado.

No discurso, Lula citou a atuação recente de Alcolumbre à frente do Senado. Ele disse que o senador encaminhou às comissões três projetos considerados prioritários pelo governo.

São eles: a PEC do fim da escala de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei dos minerais críticos.

Nenhuma cobertura do encontro cruzou esse avanço simultâneo dos três projetos como termômetro da reaproximação. É esse dado, e não só o aceno pessoal entre os dois, que mostra a relação entre Planalto e Senado voltando a render pauta de interesse do governo.

A outra disputa em jogo: o petróleo e o Ibama

A descoberta em Oiapoque encerra uma disputa ambiental de quase cinco anos. O Ibama havia negado o pedido da Petrobras para perfurar o bloco em 2023, citando inconsistências técnicas e dados insuficientes sobre a fauna marinha da região.

A Foz do Amazonas abriga recifes de coral e biodiversidade marinha que ambientalistas e parte da comunidade científica apontam como ameaçados pela perfuração; a liberação da licença foi recebida com cautela por esses setores.

A pressão pública do próprio Lula sobre o Ibama, agência técnica, para acelerar a análise já gerou questionamentos sobre a credibilidade do Brasil como referência em diplomacia climática.

A pauta que só Alcolumbre controla agora

Lula creditou o avanço dos três projetos às comissões do Senado. Se e quando eles chegam ao plenário depende agora da pauta que Alcolumbre decidir tocar nas próximas semanas.