A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez os US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19), segundo o Departamento do Tesouro americano. O valor mais que dobrou desde janeiro de 2017, quando era de US$ 19,95 trilhões. Títulos do Tesouro americano são referência de juros no mundo todo, inclusive no Brasil.
Do total, US$ 32,266 trilhões estão em títulos nas mãos do público (investidores, fundos e outros governos), e US$ 7,782 trilhões são dívida intragovernamental, entre órgãos do próprio governo americano.
Cerca de um terço do aumento da última década veio dos gastos emergenciais da pandemia de Covid-19, tanto no governo de Donald Trump quanto no de Joe Biden. O restante decorre de decisões de política fiscal das duas gestões.
Só em julho, o déficit do governo americano foi de US$ 432,3 bilhões, o maior rombo mensal desde março de 2021. No acumulado do ano, o déficit já soma cerca de US$ 1,8 trilhão.
Os juros da dívida consomem hoje quase US$ 1,2 trilhão por ano dos cofres americanos. É a terceira maior despesa do governo federal, atrás apenas da Previdência (Social Security) e do Medicare, o sistema de saúde para idosos.
Por que isso pesa no bolso do brasileiro
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano dispararam desde o fim de junho, para os maiores níveis desde antes da crise financeira de 2008.
O título do Tesouro dos EUA é considerado o investimento mais seguro do planeta. Quando ele passa a pagar mais, outros países precisam oferecer retorno maior para competir pelo mesmo capital.
Esse movimento pressiona juros, câmbio e bolsas em mercados emergentes, o Brasil entre eles.
A ata mais recente do Federal Reserve, o banco central americano, já mostrou divisão maior entre os dirigentes sobre os próximos passos dos juros nos EUA, decisão que o mercado brasileiro observa de perto antes do Copom de setembro.
O efeito que chega primeiro no câmbio
Juros americanos mais altos tendem a aparecer primeiro no câmbio e no custo do crédito externo, antes mesmo de qualquer decisão do Banco Central brasileiro.
A pergunta que fica é até que ponto o Copom de setembro vai precisar responder ao movimento dos Estados Unidos, e não só à inflação interna.


























