Os brasileiros Irídio Gomes da Silva, 37 anos, e Charles Evangelista dos Santos, 39, morreram nesta quarta-feira (19) após caírem sete andares em Belas, no município de Sintra, em Portugal. Os dois pintavam a fachada de um prédio quando a estrutura elevada usada no serviço tombou sobre a rua, por volta das 8h.
A estrutura tombou às 8h04, horário local, na rua D. Inês de Castro, e derrubou os dois trabalhadores na via pública. O equipamento também atingiu carros estacionados nas proximidades. Um terceiro operário, que pintava outra parte da fachada, escapou sem ferimentos.
Quinze socorristas foram mobilizados até as 8h45.
Moradores relataram à Câmara Municipal de Sintra que o equipamento já dava sinais de instabilidade antes do acidente. "A grua balançava bastante", disse o presidente da Câmara, Marco Almeida, ao repetir o relato dos vizinhos.
Uma testemunha descreveu o equipamento como antigo e ouviu um som metálico forte no momento da queda.
A Autoridade para as Condições do Trabalho foi chamada ao local a pedido do município, e o caso será encaminhado ao Ministério Público de Portugal. Segundo apuração preliminar da prefeitura, o serviço não tinha licença para ocupar a via pública onde a estrutura foi montada.
Já o empreiteiro responsável pela obra evitou se pronunciar. "É muito parco em palavras", descreveu Almeida, que afirmou esperar o resultado da investigação antes de apontar falhas nas condições de trabalho. O empreiteiro deverá prestar depoimento à Polícia de Segurança Pública portuguesa.
Quem eram os trabalhadores e o que diz o Brasil
Irídio Gomes da Silva e Charles Evangelista dos Santos tinham 37 e 39 anos. O colega que sobreviveu e as famílias das vítimas receberam apoio psicológico no local.
Brasileiros formam parcela significativa da mão de obra na construção civil portuguesa, setor que enfrenta escassez de trabalhadores no país europeu — o que explica a presença dos dois na obra em Belas.
Em nota, o Itamaraty lamentou as mortes: "Ao externar condolências às famílias das vítimas, o governo brasileiro manifesta solidariedade ao governo e povo de Portugal."
O que falha na fiscalização de obras sem licença
Moradores relataram instabilidade do equipamento antes da queda, e a prefeitura confirma que a obra não tinha autorização para ocupar a via pública. Falta saber como um serviço nessas condições operou sem fiscalização até o acidente.
É essa a pergunta que a investigação da ACT e do Ministério Público português ainda precisa responder.


























