O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma nova escalada de sanções contra o Irã, que classificou como guerra econômica em escala inédita. A medida ameaça qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã, cenário que reacende o risco para os US$ 2,9 bilhões em exportações do agro brasileiro ao país.
Em publicação no Truth Social, Trump descreveu a ação como a "operação econômica mais esmagadora já tomada contra qualquer país". Segundo ele, qualquer nação cujas instituições financeiras, empresas, portos ou aeroportos derem suporte ao Irã enfrentará "tremendas consequências econômicas".
O texto cita contrabando de petróleo, linhas de câmbio, transferências de dinheiro e empresas de fachada como alvos. Não há, porém, detalhamento de medidas concretas além do que já estava em vigor desde abril, sob a chamada Operação Economic Fury.
Por que o aviso preocupa o agro brasileiro
O Brasil vendeu quase US$ 2,9 bilhões ao Irã em 2025, segundo dados do comércio bilateral. Milho e soja somaram 87,2% desse total.
O milho respondeu por 67,9% das vendas, US$ 1,9 bilhão em 7 milhões de toneladas. A soja veio em seguida, com 19,3% e US$ 563 milhões. O Irã foi o principal comprador de milho do Brasil no ano passado.
Em janeiro, Trump já havia ameaçado taxar em 25% produtos de países que negociam com o Irã, o que gerou reação no setor.
Paulo Bertolini preside a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho). Na época, avaliou: "Pode ser mais um daqueles blefes do Trump — e torcemos para ser, ao menos no que diz respeito à questão dos alimentos".
À época, o governo brasileiro tratou o anúncio como especulação. Em nota, informou que não havia o que comentar, já que a medida não havia sido formalizada.
O novo aviso desta quarta-feira repete o padrão de retórica dura sem decreto ou regulamentação publicada até o momento. O superávit comercial brasileiro já vinha sendo pressionado por outras frentes do tarifaço americano ao longo do ano.
O que ainda não está definido
Trump não esclareceu se a nova rodada de sanções inclui uma tarifa a compradores de commodities agrícolas do Irã, ou se repete o padrão de ameaças sem regulamentação que marcou o aviso de janeiro.
Até a publicação desta matéria, nem a Casa Branca nem o governo brasileiro haviam detalhado se a medida trata alimentos como o milho e a soja da mesma forma que trata petróleo e sistema financeiro.


























