A sobretaxa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já atinge US$ 6,6 bilhões em exportações do Brasil, o equivalente a 16,5% de tudo o que o país vende ao mercado americano, segundo levantamento da Agência Brasil. A tarifa de 37,5% resulta da soma de duas medidas: uma sobretaxa de 25% aplicada especificamente ao Brasil, fruto de investigação sob a Seção 301 do comércio dos EUA, e uma tarifa adicional de 12,5% sobre trabalho forçado em cadeias produtivas globais, prevista na Seção 232.

Segundo o levantamento, 52,7% das exportações brasileiras (US$ 21,3 bilhões) ficam de fora das novas sobretaxas, enquanto 24,2% (US$ 9,8 bilhões) seguem sob tarifas setoriais já existentes. Outra fatia paga apenas uma das duas sobretaxas isoladamente. Setores como máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções estão entre os mais atingidos, enquanto café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas e boa parte da celulose e de produtos químicos ficaram de fora da cobrança. Mercadorias já embarcadas antes da vigência das novas taxas foram excetuadas.

O comércio bilateral já mostra os efeitos: depois do recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações em 2024, o total caiu para US$ 37,7 bilhões em 2025 e somou US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% ante o mesmo período anterior. A participação dos Estados Unidos no total exportado pelo Brasil recuou de 12,1% para 9,4%.

Minas Gerais no centro do alerta

Minas Gerais é um dos cinco estados brasileiros — ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul — que concentram mais de 70% das vendas ao mercado americano, com destaque para calçados, ferro gusa e máquinas elétricas. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) já alertou que o tarifaço ameaça empregos e investimentos na indústria do estado, com os segmentos calçadista e de máquinas elétricas entre os mais expostos.

Um estudo da própria Fiemg projeta que o tarifaço pode reduzir o PIB brasileiro em R$ 25,8 bilhões em até dois anos, com perda de 146 mil postos de trabalho formais e informais em todo o país. Setores têxtil, calçadista e de máquinas já relatam temor de demissões e prejuízos com a manutenção das sobretaxas.