Minas Gerais fechou 2025 com 9.559 acidentes registrados em rodovias, resultando em 764 mortes e prejuízo estimado em R$ 2,21 bilhões, segundo levantamento do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) com apoio da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Do total de acidentes no estado, 3.140 envolveram especificamente veículos de carga.

Os números estaduais integram um cenário nacional de 72.476 acidentes em rodovias federais em 2025, com 6.040 mortes e custo estimado em R$ 16,82 bilhões — sendo R$ 6,36 bilhões relativos a acidentes fatais, R$ 9,98 bilhões a acidentes com vítimas e R$ 480,5 milhões a acidentes sem vítimas, conforme a CNT.

Um exemplo recente ilustra o problema: no dia 12 de julho, um acidente envolvendo três veículos de carga no Km 474 da BR-251, na Serra de Francisco Sá, no Norte de Minas, deixou um motorista morto carbonizado e prejuízo de R$ 312 mil só em carregamentos perdidos.

Relevo e má conservação elevam risco

Para Adalcir Lopes, do Setcemg, os acidentes nas rodovias representam "um custo para toda a sociedade brasileira, compondo o chamado Custo Brasil". Segundo ele, "o relevo acidentado, com serras, curvas e longos trechos de aclives e declives exige atenção permanente dos motoristas" — problema recorrente em rodovias mineiras como BR-251, BR-040, BR-381, BR-356 e BR-365.

Levantamento da CNT indica que 62,1% da malha rodoviária avaliada no país apresenta algum tipo de deficiência, o que eleva em até 31,2% o custo operacional do transporte. As rodovias respondem por 65% de toda a riqueza transportada no Brasil.

Impacto chega ao consumidor

Minas Gerais tem cerca de 750 mil caminhões registrados e mais de 1 milhão de veículos somando cavalos-mecânicos, uma frota que gera aproximadamente 138 mil empregos formais e movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano no estado. Para Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, "os acidentes provocam atrasos nas entregas, perda de mercadorias, interrupção de rotas, aumento de custos operacionais e de seguros" — efeito que se reflete no preço de produtos como ração animal, autopeças, cimento, madeira de eucalipto e itens de alimentação e bebidas.

Marcelo de Souza e Silva, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), reforça que os acidentes com veículos de carga "não causam apenas danos humanos e materiais, mas também prejudicam a logística", enquanto João Gabriel Pio, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), destaca que "a segurança viária torna-se um elemento fundamental para a eficiência das cadeias produtivas".