O Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República. A escolha foi feita por aclamação, em convenção nacional realizada em formato virtual e fechada, seguida de um ato político às 11h30 no auditório do Edifício Íon, na Asa Norte, em Brasília. Zema participou presencialmente; os demais dirigentes acompanharam a distância.
O partido não definiu o candidato a vice. Zema afirmou que a decisão deve ser tomada perto de 5 de agosto, prazo final fixado pela Justiça Eleitoral para a realização de convenções partidárias. O principal nome em discussão é o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, a quem o ex-governador disse pretender procurar. "Já mencionei ao ministro Joaquim Barbosa que, indo ao Rio, quero ter uma reunião com ele", declarou, elogiando a atuação de Barbosa contra a corrupção.
Outro nome avaliado, o empresário Geraldo Rufino, recusou o convite: ele é filiado ao Podemos e busca uma vaga ao Senado por São Paulo. Michelle Bolsonaro (PL), também citada, já havia descartado a possibilidade.
O currículo de Minas como plataforma
No ato, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, apresentou a gestão mineira como principal ativo da campanha. "Talvez o maior legado que o Zema deixou em Minas Gerais é que boa gestão com pessoas decentes, qualificadas, competentes, íntegras, enterra o PT", afirmou.
Zema seguiu a mesma linha e se apresentou como alternativa administrativa. "No setor público, o Brasil carece de bons exemplos", disse. Sobre a própria candidatura, afirmou: "Considero-me com todas as credenciais, modéstia à parte, mais do que meus concorrentes". Ao tratar de corrupção na administração estadual, usou uma imagem: "Estou na porta do galinheiro com espingarda, nenhuma raposa sequer se aproximou".
O ex-governador defendeu ainda um presidente "que não tenha o rabo preso" e criticou o que classificou como "aberrações que têm acontecido no Supremo Tribunal Federal". Sobre o próprio partido, disse que o Novo "nunca vai ser um partidão", e sim "um partido cirúrgico que faz a diferença". Também discursaram o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e o candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol, que reforçaram o rótulo de político de fora do sistema atribuído a Zema.
Disputa pelo mesmo eleitorado
A convenção confirma o voo solo que Zema vinha anunciando desde abril, quando disse que levaria a candidatura "até o final" como cabeça de chapa. Ele já havia descartado ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) e rejeitado composição com o partido no primeiro turno.
O anúncio ocorre um dia depois de o PSD oficializar a chapa de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, com Gilberto Kassab como vice. Zema e Caiado disputam eleitorado semelhante — conservador e liberal, não integralmente alinhado ao bolsonarismo —, enquanto o PL já lançou Flávio Bolsonaro.
Aos 61 anos, natural de Araxá, no Alto Paranaíba mineiro, e formado em Administração de Empresas pela FGV, Zema foi eleito governador de Minas em 2018 e reeleito em 2022.
















