O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), caiu 0,4 ponto em julho de 2026 e foi a 88,3 pontos, o menor nível desde março, quando marcou 88,1 pontos. É a terceira queda mensal seguida do indicador.

O recuo foi puxado pelo Índice de Situação Atual (ISA), que caiu 2,6 pontos, para 84,4 pontos, refletindo a piora na percepção das famílias sobre o presente. Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, para 91,5 pontos, depois de dois meses em queda.

Efeito desigual entre as faixas de renda

A pesquisa, feita entre 1º e 22 de julho, mostra que o impacto não foi uniforme: famílias com renda de até R$ 2.100 tiveram queda de 10,5 pontos na confiança, enquanto as que ganham entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600 registraram alta de 5,9 pontos, e as de renda acima de R$ 9.600,01 subiram 0,4 ponto.

Entre os subcomponentes, a avaliação sobre as finanças familiares atuais caiu 3,5 pontos, para 75,5 pontos, e a satisfação com a economia local recuou 1,7 ponto, para 93,7 pontos. Por outro lado, a intenção de compra de bens duráveis subiu 4,7 pontos, para 84,7 pontos.

Juros e endividamento pressionam o orçamento

Segundo a economista Anna Carolina Gouveia, da FGV/Ibre, o alto endividamento e a inadimplência das famílias, somados a um cenário de juros fortemente restritivo — a Selic está em 14,25% ao ano —, pressionam o orçamento doméstico. Ela destacou que, diferentemente de meses anteriores, quando a piora vinha das expectativas sobre o futuro, agora o pessimismo já contamina a avaliação dos consumidores sobre a própria situação financeira presente, principalmente entre as famílias de menor renda.