O Rio Grande do Sul chega ao início desta semana com 206 municípios atingidos por chuvas, vendavais e granizo, segundo o balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil estadual. O levantamento aponta 682 pessoas desalojadas — que precisaram deixar suas casas e foram acolhidas por parentes ou amigos — distribuídas por 47 cidades gaúchas. Até o balanço consultado, o órgão não registrava mortes ligadas ao temporal.

O município de Arroio dos Ratos, na região metropolitana de Porto Alegre, concentra o maior número de desalojados: cerca de 100, conforme a Defesa Civil. Entre os danos catalogados pelo órgão estão cortes de energia elétrica, destelhamento de imóveis, queda de árvores e postes, deslizamento de barreiras, bloqueio de estradas, pontes submersas e alagamentos.

Alerta vermelho para o rio Uruguai e o rio dos Sinos

Nesta segunda-feira (27), por volta das 10h, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantinha dois alertas vermelhos de inundação ativos: um para o rio Uruguai e outro para o rio dos Sinos. O órgão classificou o risco como muito alto para Uruguaiana, na fronteira oeste. Havia ainda alerta laranja de cheia válido até quarta-feira (29), com monitoramento do Baixo Uruguai, no trecho de São Borja a Uruguaiana, do rio Jacuí, de Dona Francisca ao Delta, e dos rios Ibirapuitã, Santa Maria, Ibicuí e Quaraí.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo de tempestade para todo o estado, com validade principal para esta segunda-feira. A previsão é de chuva de 20 a 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 mm em um único dia, ventos de 40 a 60 km/h e possibilidade de granizo. A Defesa Civil estadual projeta, entre segunda e terça-feira (28), rajadas acima de 90 km/h e acumulados que podem superar 120 mm em curto intervalo e chegar a 200 mm em 48 horas.

Solo saturado agrava o risco

A nova frente chega sobre um terreno já encharcado. No balanço de 22 de julho, a Defesa Civil apontava 143 municípios com danos, 51 desabrigados — pessoas levadas a abrigos públicos — e 155 desalojados, além de 84 registros de chuva intensa, 58 de vendaval, sete de granizo e oito de alagamento. Naquela ocasião, os maiores volumes em 24 horas foram medidos em Paraí (200,8 mm), Marau (192 mm), André da Rocha (180 mm) e Passo Fundo (178,6 mm).

Na avaliação da Defesa Civil, a tendência era de que o nível do rio Taquari seguisse subindo nos dias seguintes, à medida que a água escoasse pelos afluentes. A empresa de meteorologia Climatempo projeta que a instabilidade se estenda até 1º de agosto no Sul do país, com o Rio Grande do Sul concentrando as chuvas mais frequentes e volumosas do período e acumulados acima de 100 mm em muitas áreas — cenário que preocupa justamente por vir na sequência da precipitação da semana anterior, que já levou rios ao transbordamento.

A Defesa Civil estadual orienta moradores de áreas de risco a acompanhar os avisos oficiais, evitar a travessia de trechos alagados e deixar as residências caso a água comece a subir.