Os dois programas que barateram e ampliaram o transporte coletivo de Belo Horizonte somaram 9,1 milhões de passageiros nos seis primeiros meses de operação, segundo balanço divulgado pela Prefeitura em 14 de julho. O número reúne o Catraca Livre, que zera a tarifa aos domingos e feriados, e o Madrugão, que reforçou a oferta de ônibus na madrugada.
O Catraca Livre responde pela maior parte do movimento: 8,8 milhões de passageiros em cerca de 292 mil viagens, com 267 linhas em circulação nos dias de gratuidade. De acordo com a Prefeitura, o número de usuários aos domingos e feriados subiu 40% depois da adoção da tarifa zero, com média de 265 mil pessoas transportadas por dia sem cobrança. Em novembro de 2025, antes do programa, a média dominical era de 210,4 mil passageiros.
O avanço se acentuou ao longo do semestre. Em março, no primeiro balanço parcial divulgado pela administração municipal, o superintendente de Mobilidade, Rafael Murta, informava crescimento de 31% no número de usuários aos domingos — índice que, segundo a Prefeitura, chegou a 40% ao fim dos seis meses.
Já o Madrugão beneficiou 345 mil usuários, com 128 linhas operando entre 0h e 3h59 e média de 1,9 mil passageiros por dia. Nesse horário a tarifa é cobrada, a R$ 6,25. "O Madrugão veio para consolidar o atendimento 24 horas por dia em todas as regiões da cidade", afirmou Luis Castilho, da Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob).
Como funciona a gratuidade
O Catraca Livre começou em 14 de dezembro de 2025 e vale para todas as linhas municipais convencionais e suplementares, em viagens iniciadas entre 0h e 23h59 de domingos e feriados nacionais e municipais. O passageiro precisa passar o cartão BHBUS, que registra o embarque sem descontar créditos e sem contabilizar integração; quem não tem o cartão é liberado manualmente pelo motorista ou pelo agente de estação. Nos dias de gratuidade não há integração tarifária com o metrô.
O Madrugão estreou dois dias antes, em 12 de dezembro de 2025, data do aniversário da capital, e inclui a Linha 10 – Circular Noturno.
Quem paga a conta
O custeio vem de fora do caixa da mobilidade. A Câmara Municipal de Belo Horizonte devolveu R$ 138 milhões aos cofres do município em 2025 — R$ 70 milhões de economia no funcionamento da Casa e dos gabinetes e R$ 68 milhões referentes a custos previdenciários que a Câmara assumiu e que antes eram bancados pela prefeitura.
A projeção inicial de gasto anual com a gratuidade era de R$ 40 milhões. Na ocasião do anúncio, o prefeito Álvaro Damião afirmou que o valor pode subir caso a demanda cresça e seja preciso reforçar linhas, e disse que "não tem como implementar essas mudanças positivas sem uma parceria com a Câmara". O presidente do Legislativo municipal, Juliano Lopes, afirmou que "as pessoas que não têm recursos para visitar parentes, ir a hospitais ou circular pela cidade agora terão essa oportunidade".
Segundo a Prefeitura, o objetivo declarado dos programas é ampliar o acesso a parques, feiras, centros culturais e equipamentos públicos, além de facilitar visitas familiares nos fins de semana.
















