A Polícia Militar de São Paulo informou que câmeras de segurança analisadas não confirmam a perseguição relatada pelo motorista do candidato Fernando Haddad (PT) na noite de terça-feira (11), na Vila Mariana, zona sul da capital. Mais de 40 câmeras foram examinadas até quinta-feira (13), e a investigação, aberta a pedido do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), segue em andamento.
Segundo o motorista, relatado por meio do advogado de Haddad, Hélio Silveira, uma viatura acompanhou o carro depois que ele deixou o candidato em casa, na noite de terça, após Haddad participar de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP.
O motorista afirma ter entrado em um hotel na avenida 23 de Maio para observar a viatura e ter perguntado aos policiais o motivo do acompanhamento.
O que as câmeras mostram
As imagens contam outra história. Segundo fontes da Polícia Militar, os registros mostram o carro do motorista (um Ford Fusion) chegando à Rua Joinville, na Vila Mariana, às 21h58 de terça-feira.
O motorista sai do carro, abre o porta-malas e volta ao veículo em menos de um minuto. Cerca de 26 minutos depois, uma viatura passa pelo local, em velocidade normal, segundo a corporação.
Nenhuma câmera analisada registra o desembarque de agentes ou qualquer abordagem.
Diante das imagens, o motorista mudou a versão. Ele havia dito inicialmente que parou no Hotel Pullman; depois de confrontado, indicou por videochamada, com o Google Street View, um novo ponto na avenida 23 de Maio.
As câmeras desse segundo local também não mostram parada do carro nem aproximação policial, segundo a PM. A corporação também não encontrou, no Centro de Operações, registro de ocorrência envolvendo o motorista na data indicada.
Como o caso chegou ao governo do estado
O episódio chegou à Secretaria de Segurança Pública pelo próprio Haddad. O candidato relatou o ocorrido à equipe de Tarcísio de Freitas na quarta-feira (12), e o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, ligou pessoalmente para o petista para colher detalhes do trajeto.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que "determinou à Polícia Militar que fossem identificadas as equipes que estiveram ou passaram pela região no período informado para apurar as circunstâncias do episódio".
Tarcísio de Freitas, governador de SP e candidato à reeleição pelo Republicanos, ordenou a apuração.
O embate deste ano repete o 2º turno de 2022, quando Tarcísio e Haddad já disputaram o governo paulista. Tarcísio é ligado ao campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro; Haddad segue como um dos nomes centrais do PT, partido do presidente Lula.
A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes volta a espelhar parte da polarização nacional entre os dois campos.
A assessoria de Haddad foi procurada por reportagens sobre o caso e, até a publicação mais recente sobre o tema, não havia se manifestado publicamente sobre as imagens que contradizem a primeira versão do motorista.
A investigação segue aberta, sem prazo de conclusão informado pela Polícia Militar ou pela Secretaria de Segurança Pública.














