A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou nesta sexta-feira (14) uma nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina, seguindo o parâmetro do Comitê Olímpico Internacional (COI). A regra exige teste genético negativo para o gene SRY e deixa a oposta Tifanny Abreu, do Osasco, sem condição de disputar a Superliga 2026/27.

A nova regra vale para todas as competições nacionais de quadra e de praia. Ela entra em vigor na Superliga A e B da temporada 2026/27, na Supercopa 2026, na Copa Brasil 2027 e no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto).

"Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais", informou a confederação, em nota.

A política do COI foi criada em março de 2026. Antes de chegar ao Brasil, já havia sido adotada pela FIVB, federação internacional de vôlei, e pela CSV, confederação sul-americana.

Tifanny Abreu, 41 anos, joga como oposta pelo Osasco desde 2021 e foi a primeira atleta trans a disputar a Superliga feminina no Brasil.

Com a nova regra, ela fica sem condição de disputar a próxima temporada da competição.

Em nota, o Osasco Vôlei disse ter sido pego de surpresa. "O clube foi surpreendido hoje com a informação da nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina, publicada nesta sexta-feira (14), pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV)", informou o clube.

"O clube reafirma seu apoio integral à Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas", completou a nota.

O Osasco informou que vai avaliar a nova normativa com o departamento jurídico e tomar as medidas cabíveis.

O caso tem um contraste recente.

Em fevereiro deste ano, a própria CBV, ao lado do Osasco, acionou o Supremo Tribunal Federal para garantir a participação de Tifanny na semifinal da Copa Brasil.

O pedido veio depois que vereadores de Londrina cobraram a aplicação de uma lei municipal que restringe atletas trans em equipamentos públicos da cidade.

Na ocasião, a confederação afirmou publicamente que a atleta "atende integralmente aos critérios de elegibilidade estabelecidos pela política de atletas trans da confederação".

Seis meses depois, a mesma CBV publicou a política que a exclui.

A confederação não detalhou, na nota desta sexta-feira, se há algum mecanismo de transição para atletas já em atividade nem quando eventuais recursos serão analisados.