O Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas em todo o país nesta semana, cerca de 28,7% das pouco mais de mil unidades físicas que mantinha em funcionamento. A empresa demitiu entre 1,9 mil e 2 mil funcionários, e fontes do setor ouvidas pela imprensa apontam que o total de desligamentos pode chegar a 3 mil pessoas.
A varejista teve prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, depois de fechar 2025 com perda de cerca de R$ 3 bilhões.
A receita consolidada do trimestre somou R$ 8,8 bilhões, alta de 6,4% sobre igual período do ano anterior, puxada pelo crescimento de 26% do e-commerce da marca própria. As vendas em lojas físicas, porém, recuaram 1,8% no período.
A companhia está em recuperação extrajudicial desde 2024, quando renegociou cerca de R$ 4 bilhões em dívidas por meio da conversão de debêntures em ações.
A divulgação do balanço, inicialmente prevista para 12 de agosto, foi adiada para esta sexta-feira (14), e a teleconferência com investidores ficou remarcada para segunda-feira (17).
Renato Franklin comanda a companhia desde maio de 2023, quando assumiu a missão de conduzir a reestruturação.
Em Brasília, fecharam as unidades do Conjunto Nacional e do Taguatinga Shopping. O mesmo movimento se repetiu em cidades de vários estados, atingindo lojas das marcas Casas Bahia e Ponto Frio.
O corte rompe um padrão que vinha sendo gradual.
Nos doze meses encerrados em março, a rede havia fechado apenas 26 lojas ao todo, sendo 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio, média histórica de 20 a 30 fechamentos por ano nas gestões anteriores.
O fechamento simultâneo de 298 pontos é uma das reduções mais drásticas e concentradas da história recente da empresa.
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) denuncia que lojas em Osasco, Barueri e Taboão da Serra fecharam sem aviso. Trabalhadores chegaram para cumprir o turno e encontraram as portas fechadas.
Segundo o sindicato, a Casas Bahia não o procurou para apresentar o plano, informar o número de atingidos ou discutir alternativas antes de executar os desligamentos.
"É uma situação desumana e de uma crueldade enorme. Trabalhadores e trabalhadoras saem de casa para mais um dia de trabalho e encontram a porta fechada", disse o presidente do SECOR, Luciano Pereira Leite.
"Uma demissão coletiva desse tamanho não pode ser feita ignorando o Sindicato e colocando os trabalhadores e trabalhadoras diante de um fato consumado", completou Leite, citando entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a intervenção sindical prévia é necessária em casos de demissão em massa.
No mercado financeiro, a XP Investimentos espera números fracos do grupo no segundo trimestre, com o desempenho das lojas físicas ainda pressionado.
Analistas aguardam que a administração detalhe, no balanço, o tamanho da economia anual esperada com os fechamentos e o novo desenho da operação, mais concentrada em canais digitais.
Procurada pelo jornal Valor Econômico sobre os números específicos das demissões, a Casas Bahia não se manifestou até a publicação desta matéria.
O balanço do segundo trimestre, com o detalhamento oficial do plano de fechamento de lojas, deve ser divulgado nesta segunda-feira (17), junto da teleconferência remarcada com investidores.
O que ainda falta responder
A Casas Bahia ainda não confirmou publicamente o número final de demissões nem o valor da economia anual esperada com os fechamentos. O balanço desta segunda-feira (17) deve trazer esses números.














