O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (13) ter qualquer plano para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro. Segundo um funcionário da pasta ouvido por jornalistas, o governo americano respeita "o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente" nas eleições de 2026.

A negativa veio um dia depois de o governo de Donald Trump divulgar um vídeo afirmando que o domínio americano sobre a América Latina "nunca mais será questionado".

A equipe de Lula interpretou a peça, somada a publicações do secretário de Estado Marco Rubio nas redes sociais, como sinal de que Washington trabalha para barrar a reeleição do presidente brasileiro.

O caso expôs mais uma vez o desconforto do Planalto com Rubio.

O histórico que alimenta a desconfiança do Planalto

De acordo com o jornal Gazeta do Povo, a ofensiva diplomática de Rubio contra o Brasil já inclui a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

A medida foi retaliação à demora do país em aceitar o embaixador americano Daniel Perez. A mesma ofensiva inclui a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Analistas ouvidos pelo mesmo jornal descrevem a estratégia americana como uma versão atualizada da Doutrina Monroe, batizada de "Doutrina Donroe", que combina pressão política e ferramentas econômicas para alinhar governos da região aos interesses de Washington. Lula reagiu chamando Rubio de bolsonarista.

O atrito não é recente.

Desde 2025, a crise diplomática entre os dois países já inclui uma imagem adulterada mostrando Lula preso, o cancelamento do visto da própria embaixadora em Washington e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A tensão comercial acompanha o atrito diplomático. Em abril de 2025, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa-base de 10% sobre produtos brasileiros.

Em julho do mesmo ano, Trump chegou a ameaçar elevar a taxa para 50%, ligando a medida ao processo que tramita contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar da negativa formal desta quinta, a nota do Departamento de Estado não citou Rubio nominalmente nem detalhou o que motivou o vídeo sobre domínio americano na região. Segundo os relatos, isso manteve a desconfiança do Planalto de pé.

O ponto em aberto

A negativa dos EUA não veio acompanhada de nenhum recuo nas medidas já em curso, como as tarifas e a revogação de vistos.

Falta saber se o episódio muda a postura de Washington nos próximos meses de campanha eleitoral no Brasil, ou se é só mais um capítulo de uma disputa que já dura mais de um ano.