O governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, apresentou nesta semana o "Plano Implacável", proposta de segurança pública que prevê o uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para empregar as Forças Armadas contra o crime organizado, em ação conjunta com os estados.

Zema citou a atuação recente das Forças Armadas no Rio de Janeiro como exemplo de que a cooperação entre União e estado é viável. Segundo ele, uma eventual intervenção federal no Rio precisaria durar entre dez e vinte anos para produzir resultado.

O plano também defende classificar facções e milícias como organizações terroristas. A ideia é ampliar a atuação da Força Nacional, das Forças Armadas, de órgãos de controle e de organismos internacionais contra os grupos armados que disputam territórios no país.

Por que a classificação como terrorismo divide o debate

A proposta de tratar facções como organizações terroristas não é nova, e já tem um adversário declarado dentro do próprio governo federal.

Em nota anterior sobre o tema, o Secretário Nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que "as facções aqui não têm nenhum viés político, religioso, por questão de etnia" e por isso "não se enquadram no conceito de terrorismo".

Sarrubbo também disse que esse tipo de classificação "abre espaço para intervenções estrangeiras no Brasil e não agrega ao combate às facções criminosas".

Zema, por sua vez, argumenta que rotular facções como terroristas ampliaria os instrumentos legais e internacionais disponíveis para combatê-las. É um dos pontos que devem opor sua candidatura à posição atual do governo federal na campanha de 2026.

Segundo Zema, a ação federal prevista no plano seria discutida previamente com os governadores. Ele afirma que a medida "não ocorrerá de forma unilateral".

Segurança pública é parte de um pacote maior

O "Plano Implacável" não se limita à segurança pública. A proposta de Zema inclui ainda pautas sobre o STF e sobre estatais, formando um pacote mais amplo de campanha que ele já começou a apresentar publicamente.

O plano de governo detalhado também prevê integração entre União, estados e municípios na área de segurança, com participação das guardas municipais ao lado das polícias estaduais.