A Casa Branca incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países acusados de ajudar a China a driblar tarifas dos Estados Unidos, em relatório divulgado nesta quinta-feira (13). O documento, batizado de The Great Transshipment Scam, coloca o país no nível 2 de três graus de risco, ao lado de Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia.
Segundo o relatório, o Brasil é uma plataforma regional de produção e logística capaz de redirecionar ou transformar certas categorias de produto vindas da China.
O país aparece ainda numa categoria à parte, batizada de corredores latino-americanos, junto com Argentina, Chile, Colômbia e Peru. O grupo é associado a redirecionamento de mercadorias pelos oceanos Pacífico e Atlântico, armazenagem alfandegária e montagem regional de componentes.
Peter Navarro, diretor de política comercial da Casa Branca, classificou a publicação como um aviso ao mundo. Em nota, ele disse: "Não tentem enganar a América".
O que diz o relatório sobre o Brasil
O texto não afirma que todo o comércio entre Brasil e China seja ilegal, nem que toda mercadoria chinesa que passa pelo país configure fraude. A acusação recai sobre uma prática específica.
É o transbordo, quando um produto passa por um país intermediário antes de entrar nos EUA para escapar de tarifas.
Os números variam conforme a métrica usada pelo próprio relatório. A estimativa mais ampla, que cobre o transbordo global, fala em perdas de US$ 40 bilhões a US$ 300 bilhões por ano.
Um levantamento da consultoria Exiger, citado no documento, calcula US$ 75 bilhões em mercadorias transbordadas ilegalmente entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. O impacto na arrecadação tarifária americana é estimado em US$ 19 bilhões a US$ 34 bilhões.
A tarifa de 50% que os EUA aplicam a importados chineses é apontada como o principal incentivo ao esquema.
O relatório sai no mesmo dia em que o governo brasileiro formalizou um pedido de reciprocidade contra as tarifas americanas sobre produtos do país.
Também nesta quinta-feira, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) notificou o governo dos EUA e pediu consultas diplomáticas, com base na Lei nº 15.122, que permite suspender concessões comerciais em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.
Em nota, o governo brasileiro classificou as tarifas americanas: "injustificadas e arbitrárias", e afirmou que o Brasil "continuará defendendo sua posição em todos os fóruns aplicáveis".
As tarifas em disputa somam uma sobretaxa de 25% sobre produtos como ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, farmacêuticos e máquinas agrícolas, mais um adicional de 12,5% sobre outros itens. Juntas, atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras.
As medidas de retaliação que o Brasil pode adotar incluem impor tributos ou taxas, suspender isenções de importação ou restringir a entrada de bens e serviços americanos, sempre de forma proporcional ao dano econômico causado.
O que pesa nas negociações
O relatório da Casa Branca e o pedido de consultas diplomáticas da Camex saíram no mesmo dia.
Ainda não está claro se a inclusão do Brasil na lista de transbordo vai entrar na mesa dessas negociações ou permanecer como um capítulo separado da disputa tarifária.














