Um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado na última segunda-feira (8), revela uma situação alarmante dos oceanos, exigindo ações imediatas e integradas entre governos, pesquisadores, setor privado e comunidades costeiras.

Avaliação Mundial dos Oceanos

O terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3) é a análise mais abrangente sobre a condição dos oceanos, contando com a participação de mais de 550 especialistas de 86 países. Os dados apresentados referem-se ao período de 2018 a 2023, e a pesquisa destaca a deterioração de indicadores fundamentais da saúde marinha.

Dados alarmantes sobre a saúde marinha

Desde a última avaliação realizada em 2022, o relatório aponta que diversos fatores como aquecimento, elevação do nível do mar, perda de gelo polar, biodiversidade, pesca e poluição marinha se agravaram consideravelmente. Essa versão é a mais extensa desde o início das publicações em 2017.

Impactos diretos no Brasil

Os especialistas alertam que o Brasil enfrenta uma crescente vulnerabilidade costeira, com riscos para cidades litorâneas, pressão sobre a pesca e aumento de eventos climáticos extremos associados ao Atlântico tropical. Professor Ronaldo Christofoletti, coautor do relatório, ressalta que fenômenos antes raros tornaram-se comuns, afetando negativamente o litoral brasileiro.

Taxa de elevação do nível do mar

O WOA-3 também revelou que a taxa de elevação do nível médio global do mar alcançou 4,3 milímetros por ano entre 2013 e 2023, um aumento em relação aos 3,2 mm anuais registrados anteriormente. Além disso, as mudanças nos oceanos polares se intensificaram, com recordes de degelo nos últimos anos.

Poluição plástica crescente

Outro ponto crítico destacado no relatório é a expansão da poluição plástica, que agora afeta mais de 4 mil espécies marinhas, em comparação com 1,4 mil no estudo anterior. Essa poluição não é mais apenas uma questão costeira, mas uma ameaça significativa à biodiversidade e à saúde ambiental global.

Pressão sobre a pesca e segurança alimentar

A situação da pesca e da segurança alimentar no mundo também está sob crescente pressão. O estudo anterior mostrava que 64,6% dos estoques pesqueiros eram sustentáveis em 2019, enquanto o novo relatório indica uma queda para 62,3% em 2021, evidenciando a necessidade urgente de medidas eficazes para a conservação marinha.