O Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de 60 kg de café em agosto, o melhor resultado da história para o mês, segundo relatório divulgado nesta semana pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O volume é 31% maior que o de agosto de 2025, e a receita cambial somou US$ 1,331 bilhão, alta de 19,8%.

O avanço veio dos dois lados. As exportações de arábica chegaram a 2,866 milhões de sacas, alta de 25,7%, enquanto o conilon e o robusta saltaram 53,6%, para 953.592 sacas.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o resultado foi puxado pela maior disponibilidade de cafés arábicas desta safra, que chegaram ao mercado após atrasos na colheita causados por chuvas, além do desempenho do conilon e do robusta.

As chuvas de julho atrasaram a colheita da arábica da nova safra, que só chegou ao mercado a partir de agosto, represando parte do volume que seria escoado antes.

A safra brasileira de 2026/2027 já é estimada em recorde de 77,2 milhões de sacas pela consultoria StoneX, avanço de 23,9% sobre o ciclo anterior.

Parte da competitividade vem de fora da lavoura. O café segue com tarifa zero nos Estados Unidos, poupado da taxa de 25% que Washington aplicou a outros produtos brasileiros.

O país importa café do Brasil há mais de 200 anos, e o grão responde por cerca de 34% do consumo americano.

Do lado do preço, o cenário é oposto ao do volume. O valor médio internacional do café caiu 8,6% no período, e os futuros do arábica na bolsa ICE recuaram quase 4% no dia em que o relatório foi publicado.

O que muda para quem compra café no Brasil

Para o consumidor, o recorde de exportação não deve significar café mais barato no curto prazo. Estoques mundiais nos níveis mais baixos em 20 anos sustentam os preços no varejo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

O café moído acumula reajuste de 75,6% em dois anos no Brasil. Em abril, o preço do café tradicional havia recuado 15,51% em 12 meses, a R$ 55,34 o quilo, mas segue distante dos patamares anteriores à alta.