A Anthropic afirmou ter identificado e bloqueado mais de cinco casos, entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, de pessoas usando modelos Claude de forma que poderia apoiar o desenvolvimento de armas biológicas. O relatório foi divulgado nesta semana.
Em um dos casos, um usuário tentou usar o Claude para preparar uma solicitação de bolsa de pesquisa "gain-of-function" envolvendo o vírus chikungunya. Outro caso envolveu pesquisa sobre uma variante de gripe aviária capaz de se espalhar entre mamíferos.
Pesquisa gain-of-function é usada para compreender doenças e desenvolver tratamentos, mas a própria Anthropic reconhece que alguns experimentos podem tornar patógenos mais perigosos ou fáceis de espalhar.
A empresa afirma não ter encontrado evidência suficiente para provar que os envolvidos tinham intenção de usar a informação para executar um ataque real.
Os casos envolveram os modelos mais novos?
Não. Nenhum dos casos identificados envolveu os modelos mais recentes e capazes da empresa, como o Claude Fable. Os abusos usaram versões mais antigas, como o Claude Opus 4 e o Claude Sonnet 4.5, que tinham salvaguardas menos rigorosas.
Nos modelos de geração mais recente, a Anthropic diz ter implementado salvaguardas mais fortes contra consultas de pesquisa biológica de uso duplo.
"A mesma informação que pode ser usada para desenvolver uma arma biológica também poderia ser usada para desenvolver, por exemplo, uma vacina ou cura para uma doença", diz a Anthropic no relatório.
Só armas biológicas entraram no relatório?
Não. O relatório também lista operações de influência com propaganda do Irã, vigilância ligada à China e à África Ocidental, apoio a armas convencionais e atividades criminosas diversas.
O tema já vinha em alta na própria empresa. Um pesquisador da Anthropic afirmou recentemente ver mais de 10% de chance de a IA exterminar a humanidade em cenários extremos de longo prazo.
A concorrente OpenAI também tem soado alarmes. O GPT-6 Astra foi classificado como o 1º modelo da empresa com risco cibernético "crítico", e a companhia já admitiu frear o avanço da IA de ponta, revertendo uma posição que defendia desde 2023.


























